Celular de Vorcaro abre guerra no STF às vésperas de julgamento sobre Moraes

Zanin exige acesso integral aos dados para formar seu voto, enquanto Mendonça alerta para riscos à investigação. A disputa também divide a cobertura política entre críticas à competência do ministro e defesa da igualdade no STF.
Celular de Vorcaro abre guerra no STF às vésperas de julgamento sobre Moraes

Celular de Vorcaro abre guerra no STF às vésperas de julgamento sobre Moraes
Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete, até as 23h de domingo (13), uma cópia integral dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O ministro sustenta que “não existe hierarquia entre os ministros do Supremo Tribunal Federal” e que as provas pertencem ao plenário, não exclusivamente ao relator.

A ordem foi expedida a menos de 48 horas da sessão que deverá examinar o relatório sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e dirigidas a Alexandre de Moraes. Zanin afirma que precisa conhecer o material para formar sua convicção; a PF, por sua vez, disse possuir condições técnicas para fornecer cópias aos gabinetes sem prejudicar a cadeia de custódia. Os dados já teriam sido compartilhados com a defesa do ex-banqueiro e com o Congresso.

André Mendonça enxerga o movimento pelo ângulo oposto. Segundo ele, a abertura de todas as informações “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e colocaria em risco o andamento e o êxito das investigações. Moraes, Gilmar Mendes e Zanin defendem o acesso integral para contextualizar o caso. A advertência de Mendonça também foi reproduzida nas redes sociais pelo comentarista Rodrigo Constantino.

A divergência jurídica ganhou leituras políticas contrastantes. Na cobertura de oposição, a iniciativa foi apresentada como uma ordem fora da competência de Zanin. O ex-juiz Marcelo Bretas classificou-a como “manifestamente ilegal” e afirmou que apenas o relator poderia requisitar o material.

Já veículos de perspectiva pró-governo enfatizaram que Mendonça, a defesa de Vorcaro e integrantes de uma comissão parlamentar tiveram acesso aos dados. Nessa leitura, a exigência de Zanin procura assegurar que os demais ministros possam conferir diretamente as provas antes de decidir — e não contornar a relatoria.

O contraste é direto: de um lado, o receio de expansão indevida do processo; de outro, o argumento de que não pode haver julgamento colegiado com acesso desigual às evidências.

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