Lacres falhos abrem brecha sobre provas do caso ‘Dark Horse’
Lacres falhos abrem brecha sobre provas do caso ‘Dark Horse’
A perícia da Polícia Civil de São Paulo identificou falhas nos lacres de equipamentos apreendidos na investigação envolvendo a produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O problema técnico criou uma possibilidade inquietante: acessar os dispositivos sem deixar sinais aparentes de rompimento.
Uma das reportagens contabiliza falhas em 27 itens — nove notebooks, cinco celulares e 13 pen drives. Segundo a perita criminal Viviane Menezes, havia espaço para a passagem de cabos de alimentação e transferência de dados, “sendo possível a manipulação dos dados no interior do equipamento”. Os aparelhos foram devolvidos para correção dos invólucros, novamente lacrados e depois analisados. Os documentos, porém, não informam se sua integridade foi verificada nem se houve violação efetiva.
A outra cobertura concentra-se na recusa inicial de ao menos 15 aparelhos pelo Instituto de Criminalística. Embora os selos numéricos parecessem intactos, os pacotes teriam sido fechados de forma inadequada, deixando uma “abertura considerável” que permitiria “o acesso à peça mesmo sem o rompimento do lacre”. Em 13 dispositivos, os peritos registraram espaço suficiente para inserir um cabo USB e, em tese, extrair ou alterar informações.
Os números são diferentes, mas não necessariamente incompatíveis: os textos parecem enfatizar conjuntos e etapas distintas da documentação pericial. No ponto central, coincidem. A lacração não preservava plenamente a cadeia de custódia e precisou ser refeita.
Os equipamentos integram a apuração sobre suspeitas de desvio de recursos públicos para financiar Dark Horse, envolvendo contratos municipais, verbas federais e movimentações relacionadas ao deputado Mário Frias. O sigilo dos documentos foi retirado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A falha está documentada; o que permanece sem resposta pública é se alguém explorou a brecha.
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