Pró-governo diz que irregularidades podem explicar tragédia com seis mortos na Penha

Polícia e Prefeitura apontam descumprimento de exigências e suspeita de ocultação de documentos. A construtora contesta a responsabilização antecipada e cita uma obra vizinha como possível fator.
Pró-governo diz que irregularidades podem explicar tragédia com seis mortos na Penha

Pró-governo diz que irregularidades podem explicar tragédia com seis mortos na Penha
O desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo, deixou seis mortos, entre eles uma menina de sete anos. Outras duas pessoas foram resgatadas com vida. Após mais de 24 horas de operação, os bombeiros encerraram as buscas ao considerarem que todas as vítimas haviam sido localizadas.

A apuração agora se divide entre duas versões. De um lado, Prefeitura e Polícia Civil veem indícios de que a tragédia pode estar ligada a irregularidades conhecidas. A Justiça determinou a prisão temporária de três pessoas apontadas como responsáveis pela New Home Construtora. Um homem descrito pela polícia como “sócio oculto” foi preso; o engenheiro responsável pela empresa e outra proprietária eram procurados.

A polícia afirma que o alvará emitido em 2023 exigia a demolição da estrutura anterior, condição que não teria sido cumprida. Vizinhos também relataram rachaduras nas casas próximas. “Nós percebemos que existia uma tentativa de ocultação de documentos da obra por parte da empresa. Por isso, pedimos a prisão temporária”, declarou a delegada Safira Borges Pereira Parente.

A Prefeitura sustenta que a construção começou sem alvará em 2019, recebeu multas e chegou a ser interditada. O ponto mais delicado recai sobre a própria fiscalização municipal: uma vistoria de 2024 atestou que a demolição havia ocorrido, mas verificações posteriores, incluindo imagens de satélite, indicaram o contrário. A servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias.

Do outro lado, a construtora rejeita conclusões antecipadas. A empresa abriu investigação interna e afirmou que “não há elementos” para atribuir exclusivamente a ela a causa do desabamento. Também disse que não se eximirá de eventual responsabilidade e mencionou movimentações de terra em um terreno vizinho como hipótese a ser periciada.

A chuva ocorrida naquela madrugada também não basta, segundo a Defesa Civil, para explicar o colapso. Entre documentos conflitantes, suspeitas policiais e versões concorrentes, a perícia terá de estabelecer por que o edifício caiu — e quem sabia dos riscos.

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