Lula lota a Paulista, mas vitória no primeiro turno continua por um fio
Lula lota a Paulista, mas vitória no primeiro turno continua por um fio
A Avenida Paulista ofereceu a Lula a fotografia que sua campanha buscava na reta final: ruas cheias, aliados reunidos e confiança diante das câmeras. Um dos relatos classificou o ato como “gigantesco” e afirmou que apoiadores ainda chegavam à avenida enquanto a caminhada avançava rumo à Praça Roosevelt. Na leitura pró-governo, a presença de uma “multidão” reforçou a demonstração de força após o TRE-SP suspender os efeitos da proibição municipal ao evento.
O tamanho político da manifestação, contudo, foi interpretado de formas distintas. Enquanto uma cobertura denunciou “truculência” e tentativa de prejudicar o ato, outra descreveu um “princípio de confusão” provocado pela posição dos caminhões de som e pela exigência de manter o trânsito livre. Lula aproveitou o episódio para disputar simbolicamente o espaço: “A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro”.
A mesma diferença de tom aparece nas expectativas eleitorais. Lula declarou convicção na vitória imediata, convocou a militância a trabalhar até o fechamento das urnas e prometeu voltar à avenida para comemorar. Mas a CNT/MDA mostrava o presidente com 47,8% dos votos válidos, contra 42,1% de Flávio Bolsonaro — vantagem relevante, porém ainda insuficiente para garantir o primeiro turno.
Também havia tensão sobre uma possível concentração durante a apuração. A campanha avaliava reunir eleitores novamente na Paulista, embora o TRE tivesse pedido que vias importantes permanecessem livres no domingo, como nas três eleições anteriores. A abstenção, especialmente entre pessoas com mais de 70 anos, aparecia como variável decisiva.
Assim, o encerramento produziu duas imagens simultâneas: a euforia de uma campanha que se vê perto do desfecho e a cautela dos números, que ainda deixam a vitória no limite.
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