Cury apoia Flávio, mas avisa: não há cheque em branco
Cury apoia Flávio, mas avisa: não há cheque em branco
Augusto Cury entrou na campanha de Flávio Bolsonaro com peso eleitoral — e uma lista de exigências. Terceiro colocado no primeiro turno, com 3.448.569 votos, ou 2,89% dos válidos, o escritor declarou apoio ao senador na disputa de 25 de outubro contra Luiz Inácio Lula da Silva, mas fez questão de preservar sua independência.
“Meu apoio não é um cheque em branco. Apoio não é submissão! Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo”, afirmou Cury. Ele também descartou participar de um eventual governo e classificou sua liberdade de pensamento como “inegociável”.
O apoio foi selado após uma conversa reservada e acompanhado de oito compromissos. A pauta inclui o fim da reeleição presidencial, expansão da telemedicina, proteção às mulheres, valorização dos professores, crédito para microempresas, fortalecimento do cooperativismo, aumento sustentável da produção de alimentos e “pacificação nacional”.
Cury apresenta o acordo como uma aliança sob fiscalização. O documento afirma que o endosso será acompanhado pelo direito de “cobrar, questionar, criticar e exigir coerência entre as palavras e os atos”. Flávio, por sua vez, acolheu essa ressalva: “Não é carta em branco para Flávio Bolsonaro”, disse, prometendo escrever as “novas páginas do Brasil” com seus apoiadores.
A diferença está no foco. Enquanto Cury enfatiza condições, transparência e respeito às instituições, a campanha de Flávio explora o anúncio como sinal de expansão política. O senador já havia reunido apoios de partidos e antigos presidenciáveis, numa tentativa de consolidar uma frente contra Lula após terminar o primeiro turno com 47,03%, ante 45,16% do presidente.
Entre aliados, a adesão também elevou a pressão sobre quem segue neutro. Rodrigo Constantino afirmou que Renan Santos estaria “isolado por omissão” e deveria “engolir o orgulho e apoiar o Flávio”. Cury escolheu outro caminho: aderiu, mas deixou claro que continuará com um pé fora do governo e a cobrança à mão.
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