Ameaças aos ministros explodem nas redes, mas Dino diz que não vai recuar

Relatório interno do STF reuniu milhares de mensagens com ameaças violentas contra integrantes da Corte. As coberturas diferem no foco, mas convergem sobre a gravidade dos ataques e a reação firme de Flávio Dino.
Ameaças aos ministros explodem nas redes, mas Dino diz que não vai recuar

Ameaças aos ministros explodem nas redes, mas Dino diz que não vai recuar
Um relatório de segurança do Supremo Tribunal Federal identificou milhares de mensagens com ameaças de agressão e morte contra ministros. Entre as publicações mapeadas estão referências a invasão da Corte, explosões, linchamentos e fuzilamentos — um ambiente que Flávio Dino atribuiu à circulação deliberada de falsidades. “O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência”, afirmou.

As duas coberturas apresentam o mesmo núcleo factual, mas diferem no enquadramento. O relato publicado sob a perspectiva da oposição destaca que as ameaças alcançam Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Também conecta o episódio ao alerta do Tribunal Superior Eleitoral sobre cerca de 30 mil manifestações envolvendo desinformação, exposição de dados pessoais, discurso de ódio e ameaças veladas.

Já a cobertura alinhada ao governo concentra-se no papel do X. Segundo a Secretaria de Polícia Judicial do STF, a plataforma reúne “o maior volume e a maior proporção de publicações hostis” contra a Corte e seus integrantes. O texto também associa parte das mensagens ao período posterior ao primeiro turno e a decisões sobre acesso a armas e emendas parlamentares. O relatório completo não foi divulgado por razões de segurança.

Apesar da diferença de ênfase, não há divergência sobre a resposta de Dino. O ministro afirmou que as intimidações não mudarão sua atuação: “Nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”. Para ele, discordâncias devem ser enfrentadas por recursos judiciais, não por violência. “Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo […] não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição.”

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