Choque na conta de luz reacende inflação e aperta famílias
Choque na conta de luz reacende inflação e aperta famílias
A inflação deixou para trás a queda de agosto e voltou com força em setembro. O IPCA avançou 0,82%, acima dos 0,6% esperados pelo mercado, no maior resultado para o mês desde 2021. Em 12 meses, chegou a 4,58% e ultrapassou novamente o teto de 4,5% da meta, enquanto o Banco Central estimou em 90% a probabilidade de o índice encerrar o ano acima desse limite.
Nessa leitura, o sinal mais preocupante não é apenas a alta mensal, mas a mudança de trajetória: o resultado interrompe três meses de queda da inflação acumulada. A conta de luz foi decisiva. As tarifas residenciais subiram 7,98% após o fim dos descontos do Bônus de Itaipu, somado à bandeira amarela e a reajustes em algumas cidades.
A perspectiva ligada à oposição olha para os mesmos números por outro ângulo: o aperto cotidiano. Todos os grupos pesquisados ficaram mais caros, com Habitação subindo 2,31%, Transportes, 0,89%, e Alimentação e bebidas, 0,83%. Produtos frequentes na mesa dispararam — tomate, 37,76%; batata-inglesa, 24,07%; e cebola, 10,14% — enquanto combustíveis avançaram, em média, 1,41%. Esse conjunto, segundo a reportagem, “voltou a pesar no orçamento das famílias”.
As abordagens divergem na ênfase, não no diagnóstico. Uma destaca a ameaça à credibilidade da meta e a possibilidade de inflação persistente; a outra mostra como energia, comida e mobilidade comprimem a renda disponível. Há alguns alívios pontuais, como as quedas do frango e das frutas, mas eles foram insuficientes para neutralizar o choque disseminado de setembro.
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