Pró-governo diz que fim da escala 6x1 avança enquanto oposição tenta adiar votação

A PEC chega ao plenário com governistas confiantes nos votos e empenhados em acelerar o rito. Adversários querem deixar a decisão para depois das eleições, enquanto o texto ainda enfrenta dois turnos no Senado.
Pró-governo diz que fim da escala 6x1 avança enquanto oposição tenta adiar votação

Pró-governo diz que fim da escala 6x1 avança enquanto oposição tenta adiar votação
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocou na pauta de quarta-feira (14) o primeiro turno da PEC que reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal e garante dois dias de descanso remunerado, sem corte salarial. Para o governo Lula, é hora de acelerar; para seus adversários, a prioridade é empurrar a decisão para depois das eleições.

A base governista articula um calendário especial e afirma já reunir os 49 votos necessários — três quintos do Senado — para aprovar a emenda. A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), recolhe assinaturas para abreviar o rito. A aposta é na chamada “quebra de interstício”, que permitiria encurtar o intervalo entre os dois turnos mediante aval da maioria simples dos presentes.

Do outro lado, apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) tentam adiar a análise. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) pediu a Alcolumbre que a votação ocorresse somente depois das eleições. Parlamentares da oposição também evitaram registrar presença nas sessões de discussão, mas a estratégia não bloqueou os trabalhos: encontros chegaram a reunir 60 senadores, inclusive remotamente.

O contraste político é forte, mas a resistência pública ao mérito ainda parece limitada. A maior parte dos pronunciamentos apoia o fim da escala 6x1; Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) foi apontado como o único senador a criticar o texto atual e defender alterações.

Se aprovada, a mudança será gradual: a jornada cairá para 42 horas dois meses após a entrada em vigor e, um ano depois, para 40 horas. Desde a primeira etapa, haverá dois dias de repouso remunerado, um deles preferencialmente no domingo. Profissionais com ensino superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do INSS — R$ 21.188 mensais, segundo os textos — ficarão fora das novas regras.

A votação de quarta-feira, portanto, abre uma etapa decisiva, mas não encerra a disputa. A PEC ainda precisará conquistar pelo menos 49 votos em dois turnos antes de concluir sua passagem pelo Senado.

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