Gasolina mais barata a 16 dias da eleição põe pacote de Lula sob suspeita
Gasolina mais barata a 16 dias da eleição põe pacote de Lula sob suspeita
A 16 dias do segundo turno, o governo Lula zerou os tributos federais sobre a gasolina e reforçou os subsídios ao diesel e ao etanol. O pacote custará R$ 5,2 bilhões em 30 dias: R$ 3,6 bilhões para gasolina e etanol e R$ 1,6 bilhão para o benefício adicional ao diesel importado. Segundo o Ministério do Planejamento, as medidas poderão ser revistas conforme a conjuntura e a disponibilidade de recursos.
A explicação oficial é econômica. O governo aponta a guerra no Oriente Médio, restrições de oferta e o barril de petróleo Brent perto de US$ 104 — cerca de 60% acima do valor de um ano antes. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou interferência do calendário político: “Não tem nenhuma mudança em relação ao timing eleitoral por conta do anúncio”. Para ele, receitas extraordinárias do petróleo permitem amortecer a alta para os consumidores sem desequilibrar as contas públicas.
A leitura crítica começa justamente onde termina essa defesa. O benefício da gasolina sobe de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, eliminando PIS/Cofins e Cide, mas vale por apenas um mês — período que atravessa a reta final da eleição. Além disso, o repasse integral às bombas não é automático, pois depende de outros componentes do preço.
O contraste, portanto, não está nos números, mas na interpretação. O Planalto apresenta uma proteção temporária contra um choque externo; o enquadramento oposicionista destaca um alívio caro e oportunamente colocado no calendário, enquanto Lula tenta reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Há ainda um precedente incômodo para ambos os lados: em 2022, pressionado pela alta do petróleo e buscando a reeleição, Jair Bolsonaro também zerou impostos federais sobre combustíveis.
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