Oposição diz que Nobel de Navi Pillay escancara disputa sobre Gaza

A trajetória da jurista foi celebrada pelo comitê norueguês, mas sua atuação na investigação sobre Gaza provocou fortes críticas de Israel e recolocou Donald Trump no centro da controvérsia.
Oposição diz que Nobel de Navi Pillay escancara disputa sobre Gaza

Oposição diz que Nobel de Navi Pillay escancara disputa sobre Gaza
A sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, venceu o Nobel da Paz de 2026 por seus “esforços na promoção da paz e do direito internacional”, segundo o comitê norueguês. Ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, ela presidiu a comissão que concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.

Pillay recebeu a notícia durante uma conferência sobre crimes de guerra em Nuremberg, depois que o comitê não conseguiu contatá-la antes do anúncio. Surpresa, brincou: “Deve ser uma piada. Se vocês baterem mais palmas, posso acabar dividindo esse prêmio com Trump.” Donald Trump havia afirmado, pelo segundo ano consecutivo, que merecia a premiação.

A jurista destacou justamente o tema que tornou sua escolha explosiva: “A última coisa que fiz foi entregar o relatório sobre Gaza, qualificando o que está acontecendo lá como genocídio.” O documento também apontou que autoridades israelenses, entre elas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram atos de genocídio.

Israel reagiu no sentido oposto. O Ministério das Relações Exteriores classificou a decisão como uma “grotesca instrumentalização” do Nobel para legitimar o ódio contra o país. Netanyahu afirmou que o comitê perdeu sua bússola moral e acusou Pillay de construir a carreira “em torno de inventar e propagar libelos de sangue” contra Israel.

Enquanto Pillay associa o prêmio ao relatório sobre Gaza e Israel vê uma decisão politizada, o comitê tentou preservar distância jurídica da disputa. Seu presidente, Jørgen Watne Frydnes, ressaltou que a conclusão formal sobre a existência de genocídio cabe à Corte Internacional de Justiça.

A premiação também reconhece uma trajetória iniciada durante o apartheid, quando Pillay defendeu opositores como Nelson Mandela. Depois, ela atuou no tribunal da ONU para Ruanda, no Tribunal Penal Internacional e em processos envolvendo a minoria rohingya em Mianmar.

https://resumosbrasil.com/stories/01a12300-917f-1df1-725d-0df1c706cf09

Write a comment