TSE barra token pró-Flávio, mas autoria vira centro da disputa

A Justiça Eleitoral viu risco de vantagem econômica em troca de propaganda, enquanto as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro pediram a retirada do site por motivos opostos. A responsabilidade pela operação ainda será apurada.
TSE barra token pró-Flávio, mas autoria vira centro da disputa

TSE barra token pró-Flávio, mas autoria vira centro da disputa
A controvérsia reúne um raro ponto de convergência: tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral para retirar do ar o Brasil 22 Token. A diferença está no diagnóstico. Para um lado, havia remuneração indireta de propaganda; para o outro, uso indevido de nome, imagem e número eleitoral.

O site prometia unidades do token B22 a usuários que publicassem e mantivessem conteúdos associados ao “voto 22”. Ao conceder a liminar, a ministra Estela Aranha avaliou que a estrutura “extrapola a mera manifestação política de apoiadores” e poderia configurar um mecanismo organizado de vantagem econômica ligado à disputa presidencial.

A coligação de Lula levou o caso ao TSE sustentando que o programa remunerava indiretamente eleitores para ampliar propaganda nas redes. Estela destacou a urgência às vésperas do segundo turno: “a velocidade de disseminação de conteúdos em redes sociais potencializa os efeitos do alegado ilícito e pode comprometer a igualdade de oportunidades entre os competidores”.

Já a equipe de Flávio afirmou ter conhecido a iniciativa pela imprensa e também pediu a derrubada da página. A campanha declarou que “desconhece a autoria do site” e negou qualquer relação com seu conteúdo, a venda das criptomoedas ou a contratação de perfis para fazer propaganda.

O alcance da operação elevou a preocupação. O token foi divulgado pelo perfil Hypers Kids Africa, com 12,9 milhões de seguidores no Instagram, em um vídeo posteriormente removido; o grupo pediu desculpas após a repercussão.

A decisão suspendeu o domínio, proibiu a oferta ou distribuição dos tokens e determinou a preservação de registros por plataformas e empresas ligadas a criptoativos. Mas a liminar não encerra a disputa: autoria, pagamentos efetivos e responsabilidades individuais ainda dependem da investigação, e as medidas serão examinadas pelo plenário do TSE.

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