Pró-governo diz que cortes de Flávio Bolsonaro ameaçam benefícios sociais
Pró-governo diz que cortes de Flávio Bolsonaro ameaçam benefícios sociais
Em Natal, Lula transformou uma conta ainda sem detalhamento em linha central de ataque contra Flávio Bolsonaro. O presidente questionou quem pagaria por um corte de até R$ 250 bilhões e afirmou que ajustes conduzidos pela elite historicamente atingem os mais pobres: “Eles sempre cortam dos pobres”.
A cobrança mira estudos atribuídos à equipe econômica de Flávio. Entre as medidas avaliadas estariam limitar à inflação a correção de aposentadorias do INSS e do Benefício de Prestação Continuada, mesmo quando houver ganho real do salário mínimo, e mudar as vinculações de verbas para saúde e educação. O objetivo seria um ajuste próximo de 2% do PIB.
Lula procura traduzir o debate fiscal em consequências cotidianas. “Vai ser dos trabalhadores? Vai ser dos aposentados? Vai ser do Bolsa Família?”, perguntou, contrapondo beneficiários sociais, assalariados e aposentados ao sistema financeiro. No palanque, também citou cortes anteriores no Farmácia Popular, no Minha Casa, Minha Vida e nas creches, além da ausência de aumentos reais do salário mínimo e das aposentadorias.
Do outro lado, a campanha de Flávio afirma que as medidas divulgadas não integram oficialmente seu programa. O senador promete manter Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular e Pé-de-Meia, além de reajustar o Bolsa Família, reduzir prestações habitacionais e conceder ganhos reais às aposentadorias. Seus aliados classificam a ofensiva petista como “campanha do medo”.
A resposta, porém, não encerra a disputa. A equipe do candidato defende reduzir despesas em cerca de 1,5% do PIB — estimadas em R$ 200 bilhões no primeiro ano —, mas ainda não explicou quais áreas seriam atingidas. Especialistas ouvidos pelo jornal apontam tensão entre cortar gastos obrigatórios e, simultaneamente, ampliar benefícios sociais.
Assim, os dois campos concordam na promessa de proteger políticas populares, mas divergem no ponto decisivo: Lula diz que a conta inevitavelmente chegará aos mais vulneráveis; Flávio sustenta que pode ajustar o Orçamento sem desmontar essa rede.
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