PF vê interferência de Ibaneis no BRB, mas defesas apontam autonomia e governança
PF vê interferência de Ibaneis no BRB, mas defesas apontam autonomia e governança
A Polícia Federal e as defesas concordam sobre o ponto de partida — houve contato entre autoridades, executivos e agentes privados —, mas divergem frontalmente sobre seu significado. Para os investigadores, as mensagens revelam comando político; para os advogados, mostram apenas interlocução institucional.
Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal apontam que Ibaneis Rocha participou, em janeiro de 2025, de uma reunião em Zurique com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, à época presidente do BRB. Segundo a investigação, Costa havia informado a Vorcaro que o próprio Ibaneis pedira o encontro.
A PF sustenta que o ex-governador atuou na articulação com agentes privados, na validação de decisões operacionais, na estratégia de expansão do BRB e na autorização de recursos para aumento de capital. Para os investigadores, decisões relevantes eram submetidas previamente a Ibaneis, configurando “centralização decisória e interferência política direta”. O relatório classifica o cenário como indício de “captura institucional”. Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB teria adquirido R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Master.
A defesa de Ibaneis apresenta leitura oposta. Afirma que ele “não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência” nas operações, que Paulo Henrique possuía autonomia e que os contatos ocorreram de maneira “natural, institucional e republicana”. Também ressalta que Ibaneis não aparece como interlocutor direto de Vorcaro e é mencionado apenas quatro vezes no relatório.
Já a defesa de Paulo Henrique desloca o foco para a estrutura decisória do banco: ele “foi presidente do BRB, não seu dono”. Segundo os advogados, uma operação desse porte teria de passar pelo Conselho de Administração, enquanto o Governo do Distrito Federal era o acionista majoritário.
O contraste é decisivo: enquanto as defesas invocam autonomia executiva e controles internos, a PF afirma que as decisões eram encaminhadas antes mesmo da análise dos órgãos formais. É essa disputa sobre quem realmente comandava o BRB que passa a ocupar o centro da investigação.
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