TSE barra token pró-Flávio, e campanha diz que também queria site fora do ar

A Justiça Eleitoral identificou indícios de recompensa por propaganda política, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro nega qualquer ligação com o projeto e promete medidas judiciais.
TSE barra token pró-Flávio, e campanha diz que também queria site fora do ar

TSE barra token pró-Flávio, e campanha diz que também queria site fora do ar
O TSE determinou a suspensão do Brasil 22 Token, projeto que distribuía criptoativos a usuários que compartilhassem publicações favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL). A ministra Estela Aranha considerou que a iniciativa pode ter ido além do apoio político espontâneo, funcionando como um “mecanismo estruturado de concessão de vantagem econômica vinculada à divulgação de conteúdo de natureza político-eleitoral”.

A decisão atendeu a uma ação da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apontou suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Nessa leitura, o problema não é a manifestação de preferência eleitoral, mas a possível recompensa oferecida para ampliar artificialmente propaganda na internet — algo capaz de afetar a igualdade entre os candidatos.

O projeto ganhou visibilidade por meio do perfil Hypers Kids Africa, ligado à arrecadação de recursos para crianças de Uganda. Um vídeo mostrava crianças com camisetas do B22 cantando um jingle eleitoral e incentivando a compra e o compartilhamento do token. Após a repercussão negativa, o grupo apagou a publicação e pediu desculpas.

A ordem judicial suspendeu o domínio e a distribuição dos ativos, além de exigir a preservação de registros ligados aos perfis envolvidos. A legislação permite impulsionamento eleitoral apenas quando identificado e contratado oficialmente por partidos, candidatos ou coligações, não pagamentos informais a usuários por publicações.

A campanha de Flávio, porém, contesta qualquer associação com a iniciativa. Disse desconhecer a autoria do site, negou ter contratado perfis para promover conteúdos ou produtos eleitorais e afirmou que adotaria medidas nas esferas eleitoral, cível e criminal para derrubar a página.

Assim, os dois lados convergem no resultado — o site fora do ar —, mas por razões opostas. A coligação de Lula vê possível propaganda remunerada; a campanha de Flávio se apresenta como alvo de uma ação criada sem seu consentimento. Caberá à investigação definir quem estruturou o projeto e se houve pagamento efetivo por apoio eleitoral.

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