Flávio promete receber a faixa de Jair, mas há um obstáculo decisivo

O candidato usa a eventual participação do pai na posse como símbolo de vitória política. A cena, porém, dependeria da libertação de Jair Bolsonaro e de decisões sujeitas a disputas judiciais.
Flávio promete receber a faixa de Jair, mas há um obstáculo decisivo

Flávio promete receber a faixa de Jair, mas há um obstáculo decisivo
Flávio Bolsonaro transformou a própria posse em uma cena central de campanha: Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, subiria a rampa do Palácio do Planalto para entregar a faixa presidencial ao filho.

Em São Gonçalo, após uma motocarreata, o senador apresentou sua candidatura como resposta à condenação do pai. “Aqueles que tentaram calar Jair Messias Bolsonaro, aqueles que tiraram o poder dele na mão grande são os mesmos que estão colocando Flávio Bolsonaro na cadeira de presidente”, declarou. Também pediu aos apoiadores que buscassem eleitores: “Arruma mais um votinho, alguém que não foi votar, alguém que dá para virar o voto”.

A cobertura mais favorável ao candidato destaca o caráter simbólico da promessa: uma reparação política, acompanhada por oração e referências religiosas. Já relatos críticos colocam em primeiro plano a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e a incerteza jurídica que cerca sua eventual presença na cerimônia.

Flávio aposta em revisão da pena, anistia ou indulto. Mas a anistia dependeria do Congresso, enquanto um indulto presidencial somente poderia ser concedido depois da posse e ainda enfrentaria possíveis questionamentos no Supremo Tribunal Federal. Assim, a imagem eleitoralmente poderosa não está garantida.

Há até divergência nos discursos reproduzidos sobre a data. Em uma versão, Flávio promete: “Em 1º de janeiro, vou subir a rampa e receber a faixa das mãos do melhor presidente da história do Brasil”. Em outra, projeta a cena para 6 de janeiro de 2027, com uma oração e a entrega do Brasil “nas mãos de Deus”.

Apesar dos enquadramentos opostos, as versões convergem num ponto: Flávio mantém Jair no centro da campanha. Para seus apoiadores, isso representa continuidade; para os críticos, revela uma promessa dependente de obstáculos legais ainda longe de solução.

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