Ataque em Riade expõe vulnerabilidade saudita e pode arrastar os EUA para o conflito

Com 12 mortos, 309 feridos e o principal aeroporto saudita fechado, a ofensiva reacende críticas à estratégia de Riade enquanto Trump avalia uma intervenção contra os houthis.
Ataque em Riade expõe vulnerabilidade saudita e pode arrastar os EUA para o conflito

Ataque em Riade expõe vulnerabilidade saudita e pode arrastar os EUA para o conflito
O ataque com mísseis e drones ao Aeroporto Internacional Rei Khalid deixou ao menos 12 mortos e 309 feridos, interrompeu voos e atingiu um símbolo central da ambição saudita de transformar Riade em polo global de negócios. Uma leitura crítica vê o episódio como resultado de uma guerra mal calculada no Iêmen, agravada pelo rompimento com aliados e pela dependência militar de Washington.

Nessa avaliação, a saída dos Emirados Árabes Unidos desorganizou as forças que combatem os houthis. Uma autoridade do sul do Iêmen resumiu o problema: “não houve uma transição adequada quando os emiradenses partiram” e os sauditas não conseguiram substituí-los com a mesma eficiência. O próprio grupo houthi sustenta que Riade “trouxe essa escalada sobre si mesma”, apresentando os ataques como retaliação às operações sauditas no Iêmen.

A perspectiva das autoridades e da coalizão saudita é oposta: o bombardeio contra um terminal civil seria um “crime de guerra em grande escala”. O aeroporto permaneceu fechado, com danos nos terminais 3 e 4, enquanto médicos eram convocados para atender feridos e companhias aéreas cancelavam ou desviavam suas rotas. Embora os houthis não tenham reivindicado imediatamente essa ofensiva, já haviam assumido ataques anteriores e voltaram a alertar que aeroportos sauditas poderiam ser alvos.

Washington também endureceu o discurso. Donald Trump classificou o ataque como “inaceitável” e, questionado sobre uma ação militar, respondeu: “Nós vamos analisar”. Já o enviado da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, chamou a ofensiva de “grave escalada” e advertiu que novos ataques perpetuam a violência e dificultam a paz.

As duas leituras convergem apenas num ponto: o ataque ultrapassa os danos imediatos. Para os críticos, ele revela falhas estruturais da estratégia saudita; para Riade e seus aliados, exige dissuasão. No meio dessa disputa, a segurança aérea, o plano Vision 2030 e a estabilidade regional ficam sob pressão.

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