Suspensão do “Exército do Lula” vira batalha entre censura e combate à desinformação

Nunes Marques restringiu o canal de Janones após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Governistas denunciam censura; a decisão sustenta que a mobilização foi usada para espalhar conteúdos já considerados falsos.
Suspensão do “Exército do Lula” vira batalha entre censura e combate à desinformação

Suspensão do “Exército do Lula” vira batalha entre censura e combate à desinformação
A ordem de Kassio Nunes Marques atingiu o coração da estratégia digital governista. O presidente do TSE determinou que a Meta, dona do WhatsApp, suspendesse novas publicações e adesões ao canal “Exército do Lula”, com mais de 3 milhões de seguidores, até a homologação do resultado do segundo turno.

Para Nunes Marques, o alvo não é a militância virtual nem o pedido de votos, mas uma estrutura centralizada usada para replicar conteúdos já considerados falsos pelo tribunal. “A mobilização digital, portanto, é lícita e não constitui objeto desta decisão”, escreveu o ministro, acrescentando que ela não pode ser empregada na “difusão coordenada de fatos sabidamente inverídicos”.

A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou vídeos nos quais André Janones orientava seguidores a agir de maneira coordenada. Em uma gravação reproduzida na decisão, o deputado diz: “Você vai ter que deixar o seu elitismo e sua arrogância intelectual de lado e se portar como robô. Só obedecer a ordem nas redes sociais”. Entre os conteúdos contestados estavam alegações sobre aposentadorias, benefícios sociais, milícias e o título de padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida.

Janones oferece a leitura oposta: chama a intervenção de censura e afirma que ela desmonta um instrumento legítimo de organização eleitoral. “A censura já começou. Eles me proibiram inclusive de criar outro canal, sem nenhuma argumentação”, declarou. A decisão, porém, adiou a análise de eventual proibição de novos canais até que a Meta forneça mais informações.

Lula elevou o confronto ao criticar a medida como “absurda” e dizer estar “desconfiado do comportamento da corte eleitoral”. Já uma análise jurídica publicada por Enio Viterbo ressaltou que o procedimento tem fundamento administrativo e examina o cumprimento das obrigações da plataforma, não o mérito da conduta de Janones.

Assim, os dois lados concordam sobre a potência eleitoral do canal, mas divergem no essencial: para a oposição, alcance coordenado virou vantagem ilícita; para os governistas, o TSE cruzou a linha entre fiscalização e silenciamento.

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