Morte de Telma de Souza une adversários em torno de seu legado em Santos
Morte de Telma de Souza une adversários em torno de seu legado em Santos
Telma de Souza, ex-prefeita de Santos e uma das fundadoras do PT, morreu em 10 de outubro de 2026, aos 82 anos. Internada no Hospital Mont Serrat, ela sofreu parada cardiorrespiratória e falência múltipla de órgãos após enfrentar outros problemas de saúde. O velório ocorreu no Palácio José Bonifácio, sede da prefeitura.
As coberturas de oposição e pró-governo diferem menos nos fatos do que na ênfase. De um lado, ganha destaque a dimensão política de Telma: vereadora, deputada estadual, deputada federal e prefeita entre 1989 e 1992. De outro, o foco recai sobre sua condição de única mulher eleita para governar Santos e sobre as realizações na saúde, como a implantação do Centro de Referência em Aids, apontado pela administração municipal como o primeiro do país.
As homenagens também atravessaram fronteiras partidárias. O prefeito Rogério Santos, do Republicanos, resumiu essa convivência: “Ela em um partido, eu em outro, mas sempre com muito respeito, como deve prevalecer na política”. Já o presidente do PT, Edinho Silva, definiu Telma como uma “mulher combativa” dedicada à democracia, aos direitos da população mais vulnerável e às políticas de inclusão social.
O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou que a atuação da ex-prefeita ultrapassou os cargos que exerceu e lembrou a criação do instituto dedicado ao desenvolvimento da Baixada Santista, posteriormente rebatizado em homenagem a ela.
Em comum, os diferentes relatos colocam a saúde pública no centro de seu legado. Seu instituto destacou as lutas antimanicomial e contra a Aids, a criação das policlínicas, a defesa dos trabalhadores portuários e a recuperação da balneabilidade das praias. O contraste político permanece, mas a despedida produziu um raro consenso: Telma deixou uma marca duradoura em Santos.
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