Multidão pró-Lula toma a Paulista, mas denúncias de violência acirram disputa sobre o ato

Aliados celebraram a mobilização como demonstração de força eleitoral, enquanto críticos destacaram depredações, tumultos e relatos de agressão durante a dispersão.
Multidão pró-Lula toma a Paulista, mas denúncias de violência acirram disputa sobre o ato

Multidão pró-Lula toma a Paulista, mas denúncias de violência acirram disputa sobre o ato
A Avenida Paulista ofereceu duas imagens concorrentes neste domingo (11). De um lado, uma extensa manifestação pela reeleição de Lula, reunindo estudantes, trabalhadores, movimentos sociais e lideranças políticas. Do outro, cenas de depredação, tumultos e denúncias de agressões que passaram a dominar a reação dos opositores.

A Secretaria da Segurança Pública confirmou ocorrências de pichações e danos na região, principalmente durante a dispersão. Portas e grades da estação Consolação teriam sido quebradas, enquanto pessoas foram filmadas sobre a cobertura de vidro de uma entrada da Trianon-Masp. A ativista Tamires Cardoso também denunciou ter recebido socos e chutes após levar ao local uma figura de papelão de Flávio Bolsonaro: “Tentaram me derrubar no chão e roubar meu celular”.

Nas redes, críticos transformaram os episódios em síntese política. Leandro Ruschel compartilhou a notícia sobre danos em estações de metrô com a frase “PT é isso aí”. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, publicou um vídeo que, segundo ele, mostrava apoiadores de Lula queimando uma bandeira dos Estados Unidos durante um protesto anticapitalista.

A leitura governista foi oposta. Uma reportagem do Fantástico informou que a mobilização ocupou dez quarteirões e ocorreu também em outras cidades do país. Em artigo de opinião, o Brasil 247 descreveu a Paulista como um “mar de gente”, estimou entre 300 mil e 400 mil participantes e acusou parte da imprensa de minimizar o alcance político do evento. A campanha falou em mais de 1 milhão, mas não havia contagem oficial da PM.

No palanque, Lula buscou converter volume nas ruas em votos. Ao citar quase 30 milhões de ausentes no primeiro turno, afirmou: “Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar”. Assim, o mesmo ato terminou como impulso eleitoral para seus aliados e munição para adversários — uma disputa não apenas pelo voto, mas também pelo significado das imagens da Paulista.

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