Pró-governo diz que fazendeiros planejam invadir Apyterewa se Flávio vencer
Pró-governo diz que fazendeiros planejam invadir Apyterewa se Flávio vencer
Oito áudios enviados a indígenas Parakanã pelo WhatsApp indicariam que fazendeiros aguardam o segundo turno presidencial para entrar na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no Pará. Segundo as reportagens, os autores das mensagens apostam que uma vitória de Flávio Bolsonaro e a posse do governador eleito Dr. Daniel favoreceriam a transferência de áreas protegidas aos pecuaristas — expectativa atribuída aos próprios remetentes, não aos políticos citados.
De um lado, os relatos descrevem preparativos concretos: circulação mais intensa de motocicletas e caminhonetes, compra de lonas e materiais agrícolas e orientações para que indígenas evitem determinadas áreas. Um agente da Polícia Federal, ouvido sob anonimato, classificou as informações de inteligência sobre as ameaças como “sólidas e preocupantes”.
Do outro, não há comprovação de que Flávio Bolsonaro ou Dr. Daniel tenham participado da elaboração das ameaças. A campanha presidencial não respondeu aos contatos da reportagem, enquanto o governador eleito informou, por meio da assessoria, que não comentaria. Essa ausência de posicionamento deixa sem contraponto direto a expectativa política expressa nos áudios, mas não permite atribuir aos dois apoio ao suposto plano.
O governo federal reagiu tratando o risco como questão de segurança. O Comitê de Desintrusão determinou “o reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado”, para impedir novas ocupações ilegais. O Ministério dos Povos Indígenas afirmou monitorar o “aumento da pressão para a ocupação ilegal do território”, mas ressaltou que a identificação dos responsáveis cabe às autoridades policiais.
A cautela oficial contrasta com o histórico explosivo da região. Apyterewa abriga mais de mil Parakanã e já registrou invasões, emboscadas e ataques contra agentes públicos. Agora, o temor é que o calendário eleitoral volte a funcionar como combustível para uma disputa territorial ainda longe de ser encerrada.
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