Moraes libera visitas de Flávio, mas mantém Bolsonaro fora da campanha

Pai e filho poderão voltar a se encontrar na reta final do segundo turno, sob revistas e sem equipamentos de gravação. As leituras divergem entre direito familiar restabelecido e possível vantagem eleitoral limitada pelo STF.
Moraes libera visitas de Flávio, mas mantém Bolsonaro fora da campanha

Moraes libera visitas de Flávio, mas mantém Bolsonaro fora da campanha
Alexandre de Moraes autorizou Flávio Bolsonaro a voltar a visitar Jair Bolsonaro após o término da suspensão de 90 dias. Segundo o ministro, “não houve qualquer fato superveniente que indicasse a necessidade de eventual prorrogação”. A liberação, porém, preserva revistas, horários controlados e a proibição de celulares ou equipamentos de gravação.

A defesa do ex-presidente tratou a medida como a reversão de uma restrição que já perdera a razão de existir. Antes da decisão, os advogados haviam sustentado que “não mais se mostra necessária a manutenção de regime excepcionalmente restritivo de visitas”. Nessa leitura, Moraes apenas restabeleceu o convívio familiar depois de encerrado o prazo da sanção.

Dentro da cobertura identificada com a oposição, contudo, houve também crítica frontal à permanência dos controles. Um dos textos classificou o conjunto das restrições como “um verdadeiro absurdo, eivado de ilegalidades”. Outros relatos deram ênfase ao fato de Flávio ter ficado impedido de visitar o pai durante todo o primeiro turno.

Já veículos do campo pró-governo destacaram o possível efeito político da decisão. Uma análise afirmou que a retomada devolve a Flávio a oportunidade de reforçar seus vínculos com o eleitorado bolsonarista, embora os encontros não possam ter “finalidade político-eleitoral”. Outra chamou a autorização de “afrouxamento”, mas reconheceu que Moraes não permitiu transformar as visitas em atos de campanha.

O contraste está mais no enquadramento do que nos fatos. Para uns, caiu uma barreira familiar excessiva; para outros, desapareceu um obstáculo politicamente relevante a 13 dias do segundo turno. A Procuradoria-Geral da República adotou uma posição estritamente jurídica: diante da ausência de novos descumprimentos, declarou não haver impedimento à retomada.

Flávio poderá, portanto, encontrar o pai — mas não sair da residência com cartas, vídeos ou recados eleitorais. Moraes encerrou a suspensão sem desmontar o isolamento político imposto ao ex-presidente.

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