Deportação de jornalista crítico a Milei levanta suspeita de retaliação

A Argentina alega irregularidade migratória para cancelar a residência de Rogério Tomaz Jr.; o jornalista contesta a justificativa e associa a punição às críticas que faz ao governo Milei.
Deportação de jornalista crítico a Milei levanta suspeita de retaliação

Deportação de jornalista crítico a Milei levanta suspeita de retaliação
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. desembarcou no Aeroparque, em Buenos Aires, nesta segunda-feira (12), mas não passou pelo controle migratório. Sua residência permanente foi cancelada, ele foi deportado ao Brasil e ficou proibido de entrar na Argentina pelos próximos cinco anos.

A Direção Nacional de Migrações sustenta que Tomaz não permaneceu no país pelo período necessário para conservar a residência. O jornalista contesta: “Meu documento vai até 2037, mas eles alegam que, como não moro na Argentina desde 2022, não passei dias suficientes para manter o visto de residência permanente desde então”. Ele afirma fazer viagens frequentes e diz ter passado 36 dias no território argentino apenas neste ano.

A decisão oficial enquadrou o caso no artigo 62, inciso f, da lei migratória 25.871, atualizada pelo decreto 366/25. A norma permite cancelar uma residência quando há “desvirtuamento das condições expressamente estabelecidas” para sua concessão. Nessa leitura, trata-se de uma sanção administrativa: Tomaz teria deixado de cumprir os requisitos, independentemente da validade impressa no documento.

A interpretação do jornalista é bem diferente. Crítico do presidente Javier Milei e autor de um livro sobre sua gestão, ele suspeita de retaliação política. Segundo Tomaz, o cancelamento foi confirmado em 5 de agosto, duas semanas depois de ataques no X feitos por Juan Pablo Carreira, diretor nacional de Comunicação Digital da Presidência. “Eu estou pagando as consequências da escalada autoritária do governo de extrema-direita de Javier Milei”, afirmou.

As duas versões convergem apenas sobre o resultado: a residência não pode ser recuperada, embora a punição possa ser contestada. O ponto decisivo agora será saber se a Argentina demonstrará que aplicou uma regra migratória de forma rotineira — ou se o contexto político dará força à suspeita levantada pelo jornalista.

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