Pró-governo diz que brasileira presa com cocaína em Bali pode pegar prisão perpétua
Pró-governo diz que brasileira presa com cocaína em Bali pode pegar prisão perpétua
Uma brasileira de 36 anos foi detida pouco depois de desembarcar em Bali, vinda do Brasil, com cerca de quatro quilos de cocaína líquida, segundo as autoridades indonésias. A substância teria sido encontrada pela alfândega em sete frascos de xampu e outros produtos de higiene durante a revista da bagagem. A polícia classifica o caso como uma das maiores apreensões desse tipo já registradas na ilha.
De um lado, a investigação apresenta a passageira como parte de uma operação de tráfico internacional. De outro, a versão relatada por ela aos investigadores sugere uma função limitada ao transporte: a brasileira afirmou que outro cidadão brasileiro lhe pediu para entregar a carga a uma pessoa em Bali, mediante pagamento de US$ 50 mil — aproximadamente R$ 249 mil.
A polícia, porém, adota um discurso de tolerância zero. “Estamos decididos a garantir que não haja espaço para o tráfico de drogas ilícitas na região de Bali”, declarou o porta-voz Ariasandy. Caso seja considerada culpada, a mulher poderá receber pena de prisão perpétua.
O risco é ampliado pela dureza da legislação indonésia, que também prevê pena de morte para crimes relacionados a drogas. Embora o país mantenha há anos uma moratória sobre execuções — a última ocorreu em 2016 —, centenas de pessoas, inclusive estrangeiros, permanecem no corredor da morte.
O histórico brasileiro dá dimensão concreta à ameaça. Marco Archer Cardoso Moreira e Rodrigo Muxfeldt Gularte foram executados em 2015 após condenações por tráfico. Já Manuela Vitória de Araújo Farias, presa em Bali em 2022 com quantidade semelhante de cocaína, recebeu pena de 11 anos. Entre a narrativa policial de repressão exemplar e o relato de recrutamento feito pela detida, caberá à Justiça indonésia definir seu grau de responsabilidade e a punição.
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