Canal de WhatsApp coloca Lula, Flávio e o TSE em rota de colisão
Canal de WhatsApp coloca Lula, Flávio e o TSE em rota de colisão
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, convocou para terça-feira (13) as equipes jurídicas de Lula e Flávio Bolsonaro. Sem a presença dos candidatos, o encontro tentará frear uma escalada que produziu 85 processos apenas na primeira semana do segundo turno.
O choque mais imediato envolve o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado e administrado pelo deputado André Janones. Nunes Marques determinou sua suspensão após um pedido da campanha de Flávio, que acusa o grupo de disseminar desinformação e coordenar ataques. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu provisoriamente o canal, argumentando que ainda faltava concluir a coleta de provas.
As campanhas enxergam o episódio por ângulos opostos. Lula afirmou que o presidente do TSE não pode tomar partido e cobrou a indicação de uma ilegalidade que justificasse o bloqueio. Já a equipe de Flávio chamou a reativação de “estarrecedora” e alegou que o canal ensinava seguidores a escapar dos controles da Justiça Eleitoral e do próprio WhatsApp. A área técnica do tribunal, porém, não encontrou nas publicações analisadas, entre 2 e 11 de outubro, reproduções das afirmações examinadas no processo — conclusão que limita, mas não encerra, a apuração.
A divergência também expôs fissuras dentro do TSE. Cueva considerou insuficientes os dados apresentados pela campanha de Flávio, enquanto a decisão inicial de Nunes Marques teria provocado incômodo e desconfiança internos. Depois do recuo, o presidente da Corte pediu uma avaliação técnica urgente sobre conteúdos semelhantes e eventual disseminação coordenada, buscando elementos que permitam medir “os riscos à integridade do processo eleitoral”.
Apesar das versões conflitantes, há um ponto comum: os dois lados transferiram parte decisiva da campanha para os tribunais. A reunião poderá baixar a temperatura, mas o destino do canal ainda dependerá do plenário do TSE, sem data definida para analisar o caso.
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