Falha no áudio de Flávio gera suspeita, mas TSE aponta problema técnico
Falha no áudio de Flávio gera suspeita, mas TSE aponta problema técnico
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tratou a exibição de sua propaganda sem áudio como algo difícil de atribuir ao acaso. Do outro lado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), associações de emissoras e a EBC convergem numa explicação menos explosiva: o som desapareceu durante a preparação técnica do material, não no arquivo enviado pela campanha.
A Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) afirmaram que a peça chegou “originalmente em perfeitas condições”, mas apresentou falhas no processamento. A equipe do grupo que reúne emissoras públicas e privadas teria identificado o problema e avisado prontamente o TSE.
Flávio, porém, destacou que o programa de Lula (PT), exibido depois, teve som. “Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência”, afirmou, insinuando uma tentativa de impedir que sua mensagem alcançasse os eleitores. O TSE apresentou outra leitura: os áudios não haviam sido carregados nas duas propagandas, mas houve tempo para corrigir a peça de Lula antes de ela ir ao ar. O tribunal anunciou que o programa de Flávio será reexibido.
A diferença entre os tratamentos alimentou a reação política; a cronologia operacional, contudo, sustenta a versão técnica. A peça de Flávio foi transmitida primeiro, enquanto a de Lula pôde ser reparada antes do horário previsto.
Nesse embate, uma acusação inicial já caiu. O SBT reconheceu que responsabilizou indevidamente a EBC e pediu desculpas. Segundo a retratação, a estatal “transmite o material já finalizado”, enquanto a conversão ocorreu no pool de emissoras. A EBC acrescentou que a operação daquele dia estava sob responsabilidade de outra integrante do grupo e ressaltou que a falha atingiu todas as emissoras que exibiam o horário eleitoral.
Assim, a campanha mantém a suspeita de favorecimento, mas as explicações institucionais disponíveis apontam para um erro compartilhado de processamento — corrigido para um candidato a tempo e, para o outro, somente depois da transmissão.
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