Pressão sobre Nunes Marques expõe choque entre suspeitas e falta de provas

Deputados do PT pedem investigação sobre possíveis vínculos do ministro com o Banco Master. A representação reúne episódios controversos, mas parte das alegações não está comprovada e Nunes Marques nega irregularidades.
Pressão sobre Nunes Marques expõe choque entre suspeitas e falta de provas

Pressão sobre Nunes Marques expõe choque entre suspeitas e falta de provas
Os deputados Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) pediram ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra Kassio Nunes Marques. No centro da representação estão supostos vínculos do ministro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio, prevaricação e participação em organização criminosa.

A ofensiva petista reúne mensagens, registros judiciais e contratos. Um dos episódios envolve o voto de desempate de Nunes Marques, em outubro de 2024, num caso ligado à Destilaria Alcídia e de interesse do Master. O ministro havia retirado um registro anterior de impedimento, atribuindo-o a um equívoco de sua assessoria.

Os deputados também citam referências a supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do magistrado. Mas os registros mencionados não comprovam que os pagamentos ocorreram. Kevin afirma que não trabalhou para o banco e que prestou serviços tributários à empresa Consult. Nunes Marques, por sua vez, nega ter recebido valores, mantido contato com Vorcaro ou favorecido seus interesses.

Na leitura dos parlamentares, o conjunto é suficiente para justificar uma investigação “imediata, independente e rigorosa”. A representação acrescenta contratos advocatícios de até R$ 427 milhões, hospedagem em imóvel de luxo, viagem em aeronave particular e demora na análise do pedido de CPI do Banco Master. Também pede providências ao STF e à Procuradoria-Geral da República, além do envio de informações ao Senado.

O contraste é direto: os autores veem uma sucessão de indícios que ameaça a confiança no Judiciário; a defesa do ministro ressalta negativas categóricas e lacunas probatórias. A tensão ganha peso porque Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral, colocando a controvérsia também no terreno sensível da disputa presidencial.

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