Pró-governo diz que pressão eleitoral fez Flávio Bolsonaro apoiar o fim da escala 6x1

O senador declarou voto favorável à redução da jornada após meses de críticas, mas manteve a defesa de um modelo mais flexível. Veículos pró-governo atribuem a virada ao receio de desgaste nas urnas.
Pró-governo diz que pressão eleitoral fez Flávio Bolsonaro apoiar o fim da escala 6x1

Pró-governo diz que pressão eleitoral fez Flávio Bolsonaro apoiar o fim da escala 6x1
A guinada veio às vésperas da votação no Senado. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, passou a apoiar a PEC que extingue a escala 6x1 depois de meses questionando seus efeitos. Para veículos pró-governo, a explicação é eleitoral: aliados teriam concluído que seria difícil defender um voto contrário sem parecer hostil aos trabalhadores. A oposição, que antes avaliava adiar a análise ou devolver o texto à Câmara, passou então a considerar o apoio como uma forma de reduzir danos à campanha.

Flávio apresenta outra justificativa. “A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1. Vou votar a favor do fim da 6x1”, declarou. Ao mesmo tempo, insistiu que prefere permitir a negociação de horários entre empresas e empregados, citando situações como trabalho remoto e jornadas reduzidas. A reportagem ressalta que a legislação trabalhista já contém regras para teletrabalho e proteção de gestantes e puérperas.

O contraste com o discurso anterior é direto. Em maio, o senador classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e disse que a medida poderia provocar desemprego, aumento do custo de vida e prejuízo aos próprios trabalhadores. A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso e proíbe cortes salariais.

Mesmo após anunciar o voto favorável, Flávio não aderiu integralmente ao argumento governista. Ele alertou que empresas poderiam precisar contratar mais funcionários, elevando o risco de informalidade, e cobrou compensações do governo. Sua alternativa prevê flexibilidade e pagamento proporcional às horas trabalhadas — o que pode significar salário menor quando a jornada for reduzida.

Assim, governo e oposição agora convergem no voto, mas não no diagnóstico. Enquanto governistas tratam a PEC como avanço social, Flávio preserva críticas econômicas e vende sua mudança como resposta à maioria. Para seus críticos, é cálculo de campanha; para o senador, evolução política.

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