TSE tenta conter guerra judicial enquanto Lula e Flávio elevam a pressão

Nunes Marques reúne as campanhas após uma enxurrada de processos, mas a disputa pelo “Exército do Lula” expõe versões opostas sobre imparcialidade, desinformação e liberdade de campanha.
TSE tenta conter guerra judicial enquanto Lula e Flávio elevam a pressão

TSE tenta conter guerra judicial enquanto Lula e Flávio elevam a pressão
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, recebe nesta terça-feira, às 15h30, os advogados de Lula e Flávio Bolsonaro — sem a presença dos candidatos. Embora apresentada como resposta à escalada de conflitos, a reunião já estava marcada havia uma semana. O pano de fundo são ao menos 85 processos apresentados na primeira semana do segundo turno.

A versão institucional é de contenção de danos: Nunes Marques pretende cobrar o cumprimento das regras e reforçar a preservação do processo democrático. Fora desse ponto comum, as campanhas enxergam a atuação do tribunal por ângulos frontalmente opostos.

A principal disputa envolve o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones. A campanha de Flávio acusa o grupo de disseminar desinformação e chamou de “estarrecedora” sua reativação. Já Lula afirma que o TSE vem extrapolando contra sua candidatura e exige a demonstração de uma ilegalidade: “Não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política”.

Nunes Marques ordenou a suspensão do canal, mas o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu-o provisoriamente por considerar que a coleta de provas ainda não havia terminado. Uma análise técnica posterior não encontrou, nas postagens examinadas, as afirmações apontadas pela campanha de Flávio. Isso enfraquece a justificativa imediata para a derrubada, mas não encerra o processo.

Em análise publicada no X, Enio Viterbo ofereceu outra leitura: sustentou que a decisão de Nunes Marques tinha fundamento administrativo e destacou que o ministro afirmou não estar julgando o próprio Janones. O contraste resume o impasse: enquanto um lado vê cautela regulatória, o outro enxerga interferência política. A reunião pode baixar a temperatura — mas dificilmente encerrará a batalha.

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