Pró-governo diz que vídeo de 24 tiros expõe choque entre versão da PM e família
Pró-governo diz que vídeo de 24 tiros expõe choque entre versão da PM e família
Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu após policiais militares dispararem ao menos 24 vezes durante uma abordagem na Vila Dionísia, zona norte de São Paulo, na madrugada de 3 de outubro. O vídeo mostra Antonio atingido por uma arma de eletrochoque e caindo no asfalto; os tiros começam em seguida, enquanto ele permanece no chão. A gravação, porém, não permite ouvir o diálogo nem esclarecer o que ocorreu antes de seu início.
A versão dos agentes é diferente. Segundo o registro policial, Antonio aparentava estar em surto, carregava uma faca e uma barra de ferro e ameaçava pedestres. Os PMs afirmaram que o dispositivo de eletrochoque não conteve uma nova investida. A perícia recolheu uma faca, um garfo danificado e 24 estojos de munição calibre .40 — mas não relacionou a barra de ferro mencionada pelos policiais.
A família contesta a necessidade dos disparos. Isabel Nunes Batista disse que o irmão tinha esquizofrenia e perguntou: “Eles não sabem lidar com uma pessoa dessa?”. Ela também questionou como a arma de choque não teria contido Antonio, descrito por ela como “bem magro”. Rafael Alcadipani, professor de Segurança Pública da FGV-SP, afirmou que a PM possui protocolos para ocorrências com pessoas em surto e avaliou: “Isso não é normal”. Segundo ele, os indícios preliminares sugerem que as orientações podem não ter sido seguidas.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que o caso está sendo “rigorosamente apurado”. O DHPP abriu inquérito, enquanto a Polícia Militar instaurou investigação própria acompanhada pela Corregedoria. As armas foram apreendidas, exames foram requisitados e os agentes envolvidos acabaram afastados preventivamente das atividades operacionais. A pasta declarou que não tolera desvios e que, caso sejam constatadas irregularidades, haverá punição “com rigor”.
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