Canal de Janones volta ao ar, mas disputa no TSE está longe do fim

O registro do “Exército do Lula” abriu caminho para sua reativação em 48 horas, sob fiscalização. Enquanto Cueva cobra decisão do plenário, Nunes Marques defende sua competência e a oposição questiona mensagens apagadas.
Canal de Janones volta ao ar, mas disputa no TSE está longe do fim

Canal de Janones volta ao ar, mas disputa no TSE está longe do fim
O registro do canal “Exército do Lula” resolveu a irregularidade formal apontada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, mas não encerrou a queda de braço dentro da Corte. Administrado pelo deputado André Janones e acompanhado por mais de 4 milhões de pessoas, o canal poderá retomar as atividades depois do prazo regulamentar de 48 horas.

A divergência começou após a campanha de Flávio Bolsonaro pedir a suspensão por suposta divulgação de informações falsas. Nunes Marques acolheu o pedido, enquanto o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal e defendeu que eventuais restrições fossem analisadas pelo plenário. Para Cueva, “a preservação da liberdade de expressão” recomendava a apreciação imediata e colegiada do caso.

A área técnica do TSE não encontrou falsidades nas publicações disponíveis para análise. A campanha de Flávio, porém, contestou o resultado: alegou que mensagens poderiam ter sido apagadas antes da fiscalização e apresentou um levantamento com 499 exclusões, entre elas três publicações anteriormente classificadas pelo tribunal como falsas.

Nunes Marques adotou outra linha. Para ele, o registro não era “mera formalidade”, mas uma exigência destinada a garantir transparência e fiscalização da propaganda eleitoral. Após a regularização, concluiu que manter a suspensão integral deixaria de ser a medida menos gravosa. Ainda assim, preservou os registros, manteve o acompanhamento técnico e deu prazo para que a Meta responda aos novos documentos.

A campanha de Lula afirma ter registrado o endereço apenas para cumprir a ordem, sem admitir controle direto sobre o canal. Já Nunes Marques vê uma ligação estreita entre Janones e a candidatura. O ministro também criticou Cueva por reverter sua decisão sem esperar o colegiado: “Prudência é virtude exigida do julgador, não fonte de competência”.

Assim, o canal volta; a disputa institucional, não. O plenário ainda terá de enfrentar tanto a divisão sobre competências quanto as suspeitas levantadas em torno do conteúdo apagado.

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