Flávio apoia fim da escala 6x1, mas guinada vira alvo de disputa política
Flávio apoia fim da escala 6x1, mas guinada vira alvo de disputa política
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que votará a favor da PEC que acaba com a escala 6x1, mudando o tom adotado anteriormente sobre a proposta. Segundo ele, a decisão veio após ouvir trabalhadores durante viagens de campanha: “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então eu vou votar a favor do fim da 6x1”.
O apoio, porém, vem acompanhado de condições. Flávio defende que trabalhadores tenham maior liberdade para montar seus horários e argumenta que a União deve compensar empresas eventualmente obrigadas a ampliar suas equipes. “Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação”, declarou. Ele também alertou para o risco de crescimento da informalidade.
Essa combinação — voto favorável, mas com ressalvas econômicas — contrasta com a leitura feita por Marcelo Freixo. Para o político ligado ao campo governista, a mudança não representa uma adesão programática, mas uma reação ao avanço social e eleitoral da pauta. “Você sempre foi contrário. Tem inúmeras declarações suas contrárias ao fim da escala 6×1”, afirmou, acusando Flávio de tentar reposicionar-se depois das manifestações de trabalhadores e jovens.
Freixo sustenta ainda que o mérito político pertence ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos movimentos sociais. Já Flávio afirma que seguirá “a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”. Os dois lados, portanto, reconhecem a força popular adquirida pela proposta, mas disputam sua interpretação: para o senador, ela justifica uma mudança de voto; para Freixo, expõe um recuo tático da oposição.
A PEC substitui o regime de seis dias trabalhados e um de descanso pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de folga. Também reduz gradualmente o limite semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Após passar pela Câmara, o texto precisa de ao menos 49 votos em cada um dos dois turnos no Senado.
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