Milei leva disputa por petróleo nas Malvinas a tribunal internacional

A Argentina tenta suspender o projeto Sea Lion, de US$ 2,2 bilhões, alegando violação de soberania e risco ambiental. Londres rejeita a ofensiva e defende o direito dos habitantes das ilhas sobre os recursos.
Milei leva disputa por petróleo nas Malvinas a tribunal internacional

Milei leva disputa por petróleo nas Malvinas a tribunal internacional
A Argentina abriu uma nova frente na histórica disputa pelas Ilhas Malvinas. O governo de Javier Milei pediu ao Tribunal Internacional do Direito do Mar, em Hamburgo, medidas provisórias para impedir o avanço da exploração de petróleo na bacia norte do arquipélago, administrado pelo Reino Unido desde 1833.

Para Buenos Aires, não se trata apenas de petróleo. A Presidência afirma que a ação busca “preservar os direitos soberanos argentinos sobre sua plataforma continental” e impedir que decisões britânicas unilaterais agravem uma controvérsia reconhecida pela ONU. Milei, que já chamou o empreendimento de “saque ilegal”, também enviou ao Congresso um projeto para endurecer sanções contra a exploração de recursos nas ilhas. Uma medida cautelar da Justiça argentina já havia tentado interromper o projeto diante de alegações de possíveis danos ambientais.

No centro da batalha está o Sea Lion, liderado pela israelense Navitas Petroleum e pela britânica Rockhopper Exploration. A produção está prevista para começar em 2028, em uma área situada cerca de 220 quilômetros ao norte das ilhas. O investimento estimado chega a US$ 2,2 bilhões.

Londres adota a leitura oposta: rejeita a jurisdição argentina e sustenta que os habitantes das Malvinas têm o direito de decidir sobre seus recursos naturais. A subsecretária britânica para os Territórios Ultramarinos, Uma Kumaran, afirmou que o Reino Unido continuará apoiando as empresas envolvidas. O recurso ao tribunal ocorreu após um prazo de 14 dias dado por Milei para a suspensão das atividades terminar sem acordo.

As duas posições convergem apenas sobre a importância estratégica do projeto. Para a Argentina, seu avanço consolida uma exploração ilegal em território disputado; para o Reino Unido, representa uma decisão econômica legítima dos moradores das ilhas. Quatro décadas depois da guerra de 1982, o confronto volta ao cenário internacional — agora travado por meio do direito marítimo.

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