PEC do fim da escala 6x1 ganha apoio amplo, mas pressa divide o Senado
PEC do fim da escala 6x1 ganha apoio amplo, mas pressa divide o Senado
O Senado chega à votação com uma combinação incomum: consenso crescente sobre o mérito e disputa aberta sobre o calendário. Davi Alcolumbre afirmou que o requerimento para acelerar a tramitação alcançou 54 assinaturas. “Já há o número regimental para a apreciação do calendário especial na sessão de amanhã à tarde”, anunciou o presidente da Casa.
Se o requerimento passar, os senadores poderão votar os dois turnos nesta quarta-feira. Isso não significa, porém, aprovação automática: a PEC precisa de pelo menos 49 dos 81 votos em cada votação nominal. O texto reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e preserva os salários.
Para o governo Lula, a pauta é prioritária e deve avançar ainda na reta final da campanha eleitoral. Governistas argumentam que o Senado cumpriu as cinco sessões de discussão exigidas e que já há votos suficientes. Do outro lado, aliados da oposição apoiam o conteúdo, mas contestam a corrida para concluí-lo. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, disse que não faria bem ao país votar um tema “dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado”.
A oposição também tentou empurrar o segundo turno para depois da eleição de 25 de outubro. Mas a mudança de posição de Flávio Bolsonaro — antes crítico e agora favorável à PEC — enfraqueceu a resistência ao mérito. Damares Alves avaliou que o anúncio deve “animar muita gente” e previu que o número de votos favoráveis “vai ser enorme”.
Assim, a divisão deixou de ser essencialmente sobre acabar ou não com a escala 6x1. O confronto agora é sobre quem capitaliza a aprovação e se uma mudança constitucional desse porte deve ser concluída em ritmo acelerado, a poucos dias da eleição.
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