Canal “Exército do Lula” é liberado, mas espera de 48 horas acirra disputa no TSE

A campanha de Lula registrou o canal, mas a reativação não será imediata. Enquanto Janones contesta as restrições, o corregedor do TSE cobra uma decisão urgente do plenário.
Canal “Exército do Lula” é liberado, mas espera de 48 horas acirra disputa no TSE

Canal “Exército do Lula” é liberado, mas espera de 48 horas acirra disputa no TSE
O canal de WhatsApp “Exército do Lula” poderá voltar ao ar, mas não imediatamente. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, autorizou a retomada depois que a campanha de Lula registrou a ferramenta na Justiça Eleitoral — mantendo, porém, uma espera de 48 horas, regras de identificação e supervisão técnica da Corte.

A decisão oferece uma saída operacional, mas não encerra o conflito. A disputa começou a partir de uma ação da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de disseminar informações falsas e atuar como estrutura coordenada de distribuição de conteúdo político. Com mais de 4 milhões de seguidores, a comunidade tornou-se uma peça relevante da mobilização digital pró-Lula.

Do outro lado, a campanha petista afirma ter informado o endereço somente para cumprir a ordem judicial. Segundo a defesa, o registro não significa assumir a administração da ferramenta nem reconhecer que ela já fazia parte da propaganda oficial; o canal, diz, “não está sob a supervisão direta da campanha”. A defesa de André Janones, responsável pela comunidade, também questiona os dois dias de espera e sustenta que o espaço é mantido por apoiadores, sem vínculo formal com a candidatura.

A controvérsia ganhou uma segunda frente dentro do próprio TSE. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, cobrou que o caso seja submetido urgentemente ao plenário, em sessão presencial ou virtual. Para ele, a deliberação colegiada tornou-se ainda mais necessária porque os despachos posteriores de Nunes Marques produziram efeitos sobre uma decisão que já aguardava referendo dos demais ministros.

Cueva avalia que o impasse “transcende o funcionamento de um canal de comunicação eleitoral” e alcança a divisão de competências entre a Presidência e a Corregedoria do tribunal. Assim, o canal está perto de retornar, mas a disputa institucional que provocou continua longe de resolvida.

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