Vídeo com crianças mira Lula, mas TSE manda Nikolas e Flávio apagarem publicação
Vídeo com crianças mira Lula, mas TSE manda Nikolas e Flávio apagarem publicação
A disputa começou com uma peça de forte apelo emocional. No vídeo publicado por Nikolas Ferreira e compartilhado por Flávio Bolsonaro, crianças relacionam Lula e o PT ao custo de vida, à criminalidade e a promessas supostamente descumpridas. A gravação termina com um pedido para que os eleitores não votem no presidente: “Eu ainda não voto. Mas é o nosso futuro que está em jogo. O Brasil está em jogo”.
A campanha de Lula enxergou algo bem diferente de crítica política. Na ação apresentada à Justiça Eleitoral, classificou o conteúdo como “absolutamente apelatório, mentiroso e difamatório” e acusou os responsáveis de usarem menores para ampliar o impacto da propaganda. Para os advogados, “a infância não pode ser tratada como recurso de comunicação disponível” em busca de engajamento eleitoral.
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, aproximou-se dessa interpretação. Em decisão liminar, ordenou que Nikolas e Flávio retirassem as publicações indicadas no processo em até 24 horas. Segundo o relator, a montagem “ultrapassa a barreira do razoável ao tentar atingir o eleitor psicologicamente” e se aproveita da “exploração inadequada da inocência infantil”.
O ponto central do contraste está na forma, não apenas no conteúdo. Enquanto o vídeo apresenta as acusações como retratos cotidianos do país, Bellizze considerou que cenas e referências fragmentadas foram organizadas para conferir aparência factual a conclusões contestadas — mecanismo descrito no processo como “desinformação de segunda geração”.
A vitória da campanha petista, porém, foi parcial. O ministro recusou, por enquanto, o pedido para proibir genericamente novas publicações semelhantes, por considerar que uma restrição aberta poderia alcançar manifestações protegidas pela liberdade de expressão. A decisão ainda será submetida ao plenário do TSE, e Nikolas e Flávio poderão apresentar defesa.
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