Pró-governo diz que trava do TSE ameaça principal arma digital de Lula na reta final

A regra alcançaria canais de Lula e Flávio Bolsonaro, mas pesaria mais sobre a rede petista. Mendonça cita a integridade eleitoral; Kassio Nunes Marques e juristas rejeitam uma virada nas regras às vésperas da votação.
Pró-governo diz que trava do TSE ameaça principal arma digital de Lula na reta final

Pró-governo diz que trava do TSE ameaça principal arma digital de Lula na reta final
A minuta elaborada no Tribunal Superior Eleitoral previa restringir canais político-eleitorais com mais de 200 mil seguidores entre as 48 horas anteriores e as 24 horas posteriores à votação. A régua alcançaria os dois lados, mas com pesos distintos: o “Exército do Lula” reúne mais de 7 milhões de inscritos, ante cerca de 2 milhões da “Tropa do Flávio”.

André Mendonça sustenta que não agiu sozinho. Segundo seu gabinete, “houve consenso entre todos os ministros sobre a necessidade de tratar do assunto”, embora integrantes da Corte tenham dito que o acordo se limitava a impedir a criação de novos canais — não a suspender os existentes. O ministro afirma que o objetivo é proteger a integridade do pleito quando já não haveria tempo para corrigir conteúdos ilícitos.

Kassio Nunes Marques traçou uma linha mais dura contra a mudança. “Sou contra alterações de última hora nas regras, às vésperas da eleição”, afirmou o presidente do TSE, acrescentando que o tema não seria pautado nem discutido em reunião extraordinária. Assim, enquanto Mendonça descreve uma deliberação ainda aberta e coletiva, Kassio trata o assunto como encerrado.

Juristas e organizações da sociedade civil também rejeitam a equiparação entre grandes canais e anúncios pagos. Eles argumentam que o impulsionamento compra alcance e entrega mensagens a quem não pediu para recebê-las; já os canais são gratuitos, crescem organicamente e dependem da adesão voluntária do usuário. Para o grupo, a minuta restringiria a liberdade política e mudaria as condições da disputa a poucos dias da eleição.

Na leitura pró-governo, a neutralidade formal esconderia um impacto desigual: sem perfis orgânicos comparáveis aos de influenciadores ligados a Flávio Bolsonaro, Lula depende mais do megacanal organizado por André Janones para mobilizar apoiadores. No campo oposto, críticos de Lula ampliaram a pressão nas redes; Leandro Ruschel classificou como “crime eleitoral” o uso governamental do WhatsApp, sem apresentar comprovação adicional na publicação.

O contraste central permanece: para Mendonça, a escala dos canais cria risco irreversível; para os críticos da minuta, mexer na regra na reta final produziria justamente a assimetria que o TSE deveria evitar.

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