Voepass no banco dos réus: MPF aponta lucro acima da segurança

Doze pessoas ligadas à Voepass responderão criminalmente pela queda que matou 62 pessoas. Enquanto a acusação descreve omissões continuadas, a companhia reafirma seu compromisso histórico com a segurança.
Voepass no banco dos réus: MPF aponta lucro acima da segurança

Voepass no banco dos réus: MPF aponta lucro acima da segurança
A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 12 pessoas ligadas à Voepass pela queda do ATR 72-500 em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024. As 62 pessoas a bordo morreram. Entre os réus estão integrantes da alta administração, diretores, chefias e dois funcionários apontados como participantes diretos dos fatos.

Na cobertura de viés pró-governo, o foco recai sobre a tese do Ministério Público Federal de que o desastre teria sido resultado de uma cultura organizacional orientada pelo corte de custos. A acusação menciona registros falsos de manutenção, reparos precários, peças sem rastreabilidade e pressão para que falhas não fossem documentadas. Representante de famílias de 37 vítimas, o advogado Leonardo Amarante classificou a ação como “inédita em termos de responsabilização” e disse esperar a “condenação dos responsáveis”.

A cobertura de oposição apresenta a mesma linha acusatória, mas detalha o risco de formação de gelo enfrentado pelo voo entre Cascavel e Guarulhos. Segundo o MPF, a empresa sabia que o ATR 72-500 não tinha certificação da fabricante para operar em condições críticas de gelo e conhecia havia pelo menos um ano problemas no sistema de degelo. Para a acusação, a tragédia foi o “desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas”.

O contraste aparece na resposta dos envolvidos. A Voepass afirmou que continuará colaborando com a Justiça e sustentou ter mantido a segurança operacional como princípio fundamental durante mais de três décadas. Já a defesa de José Luiz Felício Filho, proprietário da companhia, disse que ele integrava o conselho e estava afastado da gestão cotidiana quando ocorreu o acidente.

Assim, as duas perspectivas concordam sobre o centro do caso — possíveis falhas sistêmicas, não apenas erros pontuais —, mas diferem na ênfase: de um lado, a expectativa de responsabilização; de outro, o espaço dado às explicações da empresa e da defesa.

https://resumosbrasil.com/stories/01a160ce-bf6e-2cff-71ab-21142ee0c36a

Write a comment