Richarlison exibe documentos, mas disputa por mansão esbarra em duas versões de posse

O jogador diz ter investido R$ 10 milhões e cobra a devolução do imóvel em Angra. Willer Tomaz afirma que sua empresa adquiriu os direitos legalmente, enquanto Flávio Bolsonaro nega participação.
Richarlison exibe documentos, mas disputa por mansão esbarra em duas versões de posse

Richarlison exibe documentos, mas disputa por mansão esbarra em duas versões de posse
Richarlison respondeu ao desafio de Willer Tomaz com documentos, mensagens e uma cobrança direta: “Você falou que se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha”. O atacante afirma ter investido R$ 10 milhões na mansão da Ilha Comprida, em Angra dos Reis, incluindo R$ 4,66 milhões em indenizações a antigos ocupantes, reformas e segurança.

O material, porém, não encerra a disputa — expõe duas cadeias de posse concorrentes. A versão de Richarlison começa com negociações realizadas a partir de 2011 e passa pela compra do imóvel, em 2020, por um grupo que incluía o jogador. Um acordo firmado no ano seguinte teria confirmado a posse. Já Tomaz aponta registros administrativos iniciados em 1975 e sucessivas transferências reconhecidas pela União, culminando na passagem do cadastro para a WT Administração de Imóveis e Bens, sua empresa, em 2022.

A diferença na velocidade dos processos alimenta a acusação mais sensível do atleta. O pedido da Sport 70, ligada a seu grupo, ficou sem conclusão por quase dez meses; o procedimento da WT foi encerrado em cerca de dois meses, mediante uma certidão especial da Secretaria do Patrimônio da União. “Para eles aconteceu muito rápido, foi questão de dias”, disse Richarlison. A reportagem que detalha os registros ressalva, contudo, que outras suspeitas levantadas pelo jogador ainda dependem de verificação nos autos.

Tomaz rejeita a narrativa. Segundo o advogado, Richarlison não apresentou escritura registrada, inscrição em seu nome na SPU nem comprovante de pagamento à titular cadastrada. Ele também afirma que empresas ligadas ao jogador foram derrotadas judicialmente e que um inquérito policial foi arquivado por falta de indícios de crime.

Flávio Bolsonaro, citado por Richarlison como interessado anterior na compra, também nega envolvimento. Sua assessoria afirma que o senador não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel. O jogador, por sua vez, diz ter tentado procurá-lo antes de tornar o caso público e insiste: “Eu comprei com dinheiro suado meu” — prometendo lutar pela devolução da área e pela reconstrução da casa demolida.

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