Lula mira chapa de Flávio, mas Meta atribui suspeitas eleitorais a falhas técnicas
Lula mira chapa de Flávio, mas Meta atribui suspeitas eleitorais a falhas técnicas
A ofensiva da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Tribunal Superior Eleitoral com um pedido de cassação do registro — ou do eventual diploma — da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral sustenta que Meta e X teriam oferecido tratamento desigual às candidaturas por meio de algoritmos, inteligência artificial, distribuição de conteúdo e revisão de anúncios.
Na leitura petista, não se trata de uma coleção de erros isolados. A petição afirma que a infraestrutura das plataformas passou a operar “de modo reiterado e convergente” em benefício de Flávio e em prejuízo de Lula. Também associa o caso à “integridade da democracia brasileira” e à soberania nacional, diante do peso de empresas norte-americanas na comunicação eleitoral.
Os números apresentados procuram dar escala à acusação. Segundo a ação, uma rede de 255 perfis criados por inteligência artificial publicou mais de 1,2 mil conteúdos sintéticos, alcançando 58,6 milhões de visualizações em um mês. A campanha também diz que Flávio obteve 2,96 vezes mais interações por publicação no início do segundo turno, apesar de possuir menos seguidores. Testes teriam ainda permitido gerar propaganda com “Flávio 22”, mas bloqueado comandos equivalentes com “Lula 13”.
A Meta oferece uma interpretação oposta: reconhece falhas técnicas pontuais que afetaram temporariamente publicações da campanha de Lula, mas nega favorecimento, viés político ou interferência na eleição. A diferença é central: enquanto a empresa descreve problemas operacionais, os advogados petistas enxergam “uma engrenagem de poder econômico” capaz de desequilibrar a disputa.
Além da cassação, a ação pede inelegibilidade por oito anos para Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes, além de medidas urgentes para preservar registros algorítmicos e corrigir disparidades. O processo foi distribuído ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e ainda não há prazo para decisão. Os relatos fornecidos não registram uma resposta da chapa de Flávio às acusações.
https://resumosbrasil.com/stories/01a16218-38cc-34f2-7062-0bd9a51aa540
Write a comment