Megacentro de IA mira energia de Itaipu, mas deixa Brasil e cifras fora do anúncio

EUA apresentam o projeto como um investimento histórico para o Paraguai, enquanto permanecem sem resposta questões sobre custo, capacidade e energia consumida da hidrelétrica binacional.
Megacentro de IA mira energia de Itaipu, mas deixa Brasil e cifras fora do anúncio

Megacentro de IA mira energia de Itaipu, mas deixa Brasil e cifras fora do anúncio
Estados Unidos e Paraguai colocaram a abundante energia de Itaipu no centro de uma aposta ambiciosa: transformar eletricidade renovável em capacidade computacional para inteligência artificial. A primeira etapa do empreendimento, conduzido pela americana Crusoe e pela paraguaia Araico, deverá começar a operar em meados de 2027 e atender clientes de computação em nuvem nos EUA e na América Latina.

Na perspectiva favorável ao governo, o anúncio simboliza uma aproximação estratégica entre Washington e Assunção. O acordo foi fechado durante a visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, que também discutiu tecnologia, minerais críticos, logística e segurança com o presidente Santiago Peña. O governo dos EUA afirma que o centro poderá se tornar “um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai”, embora não tenha informado seu valor nem a capacidade prevista.

A leitura de oposição desloca o foco do entusiasmo para as perguntas ainda abertas. Itaipu pertence igualmente ao Brasil e ao Paraguai, e cada país tem direito à metade da produção; a energia não utilizada por um deles pode ser comprada pelo outro. Nesse contexto, o comunicado não esclarece quanta eletricidade será direcionada ao centro de dados — e sequer menciona o Brasil.

As duas perspectivas convergem sobre a escala potencial do projeto e sua importância para o Paraguai. A diferença está no enquadramento: de um lado, uma vitrine para capital privado, tecnologia e influência americana; do outro, um empreendimento de grandes proporções anunciado sem cifras, demanda energética ou explicações sobre possíveis implicações para a gestão binacional.

O projeto também chega enquanto Brasil e Paraguai discutem mudanças no Anexo C do Tratado de Itaipu, que rege aspectos da comercialização da energia. Até que os detalhes sejam divulgados, a promessa é gigantesca — mas a conta energética e diplomática continua em aberto.

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