Camisetas de Lula viram centro de denúncia contra PM em Piracicaba

Familiares acusam policiais de vestir três detidos com camisetas petistas e agredi-los; a versão policial sustenta que as roupas já eram usadas na abordagem. O PT pede investigação, enquanto a SSP afirma não ter registro das denúncias.
Camisetas de Lula viram centro de denúncia contra PM em Piracicaba

Camisetas de Lula viram centro de denúncia contra PM em Piracicaba
Uma abordagem por suspeita de tráfico de drogas abriu uma disputa de versões em Piracicaba. Três detidos — um adolescente de 17 anos e dois homens de 21 e 24 — foram fotografados algemados e usando camisetas idênticas de apoio ao presidente Lula. As imagens acabaram divulgadas pelo senador eleito Guilherme Derrite, que elogiou a ação policial e afirmou que “crime não pode ser relativizado”.

A mãe do adolescente contesta frontalmente a cena. Segundo ela, o filho vestia uma camiseta preta antes de ser detido: “Colocaram as três blusas iguais”. A mulher também acusa os agentes de agredir o jovem e atingir sua filha de 14 anos. Um dos adultos detidos apresentou relato semelhante, dizendo que policiais arrancaram as roupas originais do grupo e colocaram as camisetas de Lula.

O PT levou o episódio à Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu que a Polícia Federal investigue possível fraude eleitoral e abusos contra o adolescente. A deputada estadual Professora Bebel também anunciou que acionaria a Ouvidoria da Polícia Militar após duas moradoras relatarem intimidação e agressões para entregar camisetas favoráveis a Lula.

A versão policial segue na direção oposta. Conforme o relato atribuído à corporação, uma denúncia recebida pelo 190 já descrevia os suspeitos com as camisetas. A ocorrência terminou com a apreensão de 160 porções de cocaína e um revólver. As acusações de montagem e violência, porém, ainda não foram comprovadas.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que não “compactua com desvios de condutas” e que pune casos comprovados, mas disse não haver registro dos fatos denunciados na comunidade Vitória Pantanal. Também orientou as supostas vítimas a procurarem uma delegacia, a Delegacia Digital ou a Corregedoria da PM. A pasta não respondeu diretamente se os agentes obrigaram os detidos a trocar de roupa.

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