Pró-governo diz que Flávio cedeu no acordo dos sigilos, mas TSE ainda decide

Lula e Flávio Bolsonaro autorizaram a abertura simultânea de dados, porém divergem sobre quem fez concessões. O acordo depende do aval do TSE e pode não produzir resultados antes do segundo turno.
Pró-governo diz que Flávio cedeu no acordo dos sigilos, mas TSE ainda decide

Pró-governo diz que Flávio cedeu no acordo dos sigilos, mas TSE ainda decide
A três dias do segundo turno, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram no Tribunal Superior Eleitoral um acordo para abrir, de maneira total e simultânea, sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O entendimento também alcança familiares, assessores e empresas relacionados aos candidatos, dentro das autorizações apresentadas.

O consenso, porém, não eliminou a disputa de narrativas. A equipe de Lula sustenta que precisou pressionar o adversário para incluir informações da Alcazar Holdings, empresa de Willer Tomaz, amigo de Flávio. “Eles acataram depois de nós não cedermos”, afirmou o coordenador petista Camilo Santana. A campanha também defende que os dados sejam publicados antes da votação, para que o eleitor possa avaliá-los.

Do outro lado, a advogada da campanha de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, declarou que houve reciprocidade completa: “Absolutamente tudo aquilo que foi pedido na petição do presidente Lula a campanha de Flávio vai oferecer sem nenhuma reserva.” A equipe do PL, contudo, disse que primeiro verificará se Lula entregou toda a documentação prometida. No caso dos dados ligados a Willer Tomaz, afirmou que ainda seria necessária a autorização do advogado.

Assim, ambos reivindicam o mesmo ativo político — transparência — enquanto atribuem ao rival a resistência inicial. Lula aceitou exigências sobre o Instituto Lula, familiares, assessores e despesas ligadas à Presidência; Flávio concordou com pedidos envolvendo empresas, contas no exterior e mensagens específicas.

A etapa decisiva não está nas mãos das campanhas. O ministro André Mendonça precisa autorizar a medida e requisitar informações ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras. Mesmo com o pacto assinado, não há garantia de que todo o material seja obtido, analisado e publicado antes do segundo turno. O acordo encerra o impasse formal, mas mantém aberta a batalha eleitoral sobre quem realmente tem algo a mostrar — ou a esconder.

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