Camisetas de Lula viram centro de disputa após abordagem policial em Piracicaba

Familiares dizem que jovens foram forçados a vestir peças de campanha depois de serem detidos; a PM sustenta que eles já usavam as camisetas. O PT pediu investigação eleitoral, enquanto as acusações de violência e manipulação seguem sem comprovação.
Camisetas de Lula viram centro de disputa após abordagem policial em Piracicaba

Camisetas de Lula viram centro de disputa após abordagem policial em Piracicaba
Uma operação contra o tráfico de drogas em Piracicaba abriu uma disputa entre duas versões inconciliáveis. De um lado, familiares acusam policiais militares de vestir três jovens detidos — entre eles um adolescente de 17 anos — com camisetas idênticas de apoio ao presidente Lula. Do outro, a PM afirma que as roupas já faziam parte da descrição recebida antes da abordagem.

A mãe do adolescente, Edna Souza Barbosa, contesta frontalmente a narrativa policial. Segundo a reportagem, ela afirma que “os detidos não vestiam aquelas roupas quando foram abordados” e só apareceram com as peças posteriormente. A mulher também acusa agentes de agredir seu filho, empurrar sua filha de 14 anos e ameaçar familiares durante a ocorrência.

A denúncia ganhou força com os relatos de duas moradoras da Comunidade Vitória Pantanal, apresentados pela deputada estadual Professora Bebel (PT). Conforme a parlamentar, policiais teriam exigido camisetas favoráveis a Lula. Uma das mulheres diz ter sido chutada ao se recusar a tirar a peça, pois ficaria apenas de sutiã; agentes também teriam entrado em uma residência para buscar outras camisetas.

A PM oferece uma explicação oposta: diz ter recebido uma denúncia anônima sobre tráfico e sustenta que os suspeitos já vestiam as peças mencionadas na descrição. As imagens dos jovens algemados repercutiram depois de serem publicadas nas redes sociais do senador Guilherme Derrite (PL), mas a fonte não registra uma manifestação dele sobre as acusações.

O PT acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral para apurar a atuação dos agentes, a origem do vídeo e o caminho percorrido pelo material até sua divulgação. Bebel também pretende levar o caso à Ouvidoria da Polícia Militar. Por enquanto, porém, as suspeitas de violência, montagem e finalidade eleitoral permanecem sob acusação, sem comprovação conclusiva.

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