Prisão de Luisa González acirra disputa sobre eleições e Justiça no Equador

O Ministério Público aponta suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades eleitorais; aliados da ex-candidata denunciam perseguição política, falta de acesso à defesa e risco às garantias democráticas.
Prisão de Luisa González acirra disputa sobre eleições e Justiça no Equador

Prisão de Luisa González acirra disputa sobre eleições e Justiça no Equador
A prisão de Luisa González, duas vezes candidata presidencial e principal nome do Revolução Cidadã, abriu uma nova frente na disputa política do Equador. De um lado, o Ministério Público investiga possível lavagem de dinheiro ligada à campanha de 2023; do outro, aliados da ex-candidata denunciam uma tentativa de neutralizar a oposição antes das eleições locais.

González foi detida na quinta-feira, 22, na província de Manabí. Segundo o Ministério Público, três pessoas seriam acusadas por suposta participação em lavagem de ativos. O órgão afirma apurar “irregularidades no financiamento político e no gasto eleitoral em publicidade” decorrentes de inconsistências nas contribuições e na origem lícita dos recursos. A ex-candidata já negara ter recebido dinheiro da Venezuela.

A defesa e o Revolução Cidadã oferecem uma leitura oposta. A equipe de González chama o caso de “apenas uma divergência administrativa” e classifica a operação como “perseguição política”. O partido afirma que seus advogados não conseguiram acessar a cliente nem receberam informações sobre seu paradeiro, o que motivou um pedido de medidas cautelares à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Até então, o governo de Daniel Noboa não havia se pronunciado.

O momento da prisão amplia a tensão: faltam cinco semanas para as eleições locais, das quais González foi inabilitada e o Revolução Cidadã, suspenso. O Ministério Público associa a operação ao caso Labirinto, enquanto o correísmo relaciona a ofensiva ao caso Caja Chica e sustenta que o objetivo é retirar o grupo da disputa. Rafael Correa reagiu com “Prenderam Luisa González. Já chega!”, e o ex-presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que o Equador se transformou em “uma verdadeira ditadura”.

As duas versões convergem apenas em um ponto: a investigação terá impacto muito além do processo penal. Em jogo estão a credibilidade das instituições equatorianas e o equilíbrio da próxima disputa eleitoral.

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