Pró-governo diz que arrecadação recorde fortalece o caixa, mas rombo ainda ameaça 2026
Pró-governo diz que arrecadação recorde fortalece o caixa, mas rombo ainda ameaça 2026
A arrecadação federal chegou a R$ 239,4 bilhões em setembro, maior valor para o mês desde o início da série histórica, em 1995. Na comparação com setembro do ano anterior, quando o total corrigido pela inflação foi de R$ 226,6 bilhões, houve “aumento real de 5,6%”.
O desempenho sustenta uma leitura favorável ao governo: a expansão da economia ajudou a engrossar as receitas, ao lado dos aumentos de impostos anunciados nos últimos anos e da valorização do petróleo. De janeiro a setembro, a União arrecadou R$ 2,35 trilhões em valores nominais. Corrigido pela inflação, o montante atingiu R$ 2,38 trilhões — avanço real de 7% e novo recorde para o período.
Mas caixa cheio e equilíbrio fiscal não são sinônimos. O governo espera usar o crescimento da receita para perseguir, em 2026, um superávit de 0,25% do PIB, estimado em R$ 34,3 bilhões. A margem de tolerância do arcabouço fiscal permite que a meta seja considerada cumprida mesmo com resultado zero.
A diferença entre o placar oficial e a situação efetiva é o ponto de tensão. As regras autorizam retirar até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, inclusive gastos com precatórios. Assim, o governo poderá apresentar formalmente um resultado positivo e, ao mesmo tempo, registrar na prática um déficit estimado em R$ 23,3 bilhões.
O recorde, portanto, melhora a fotografia das receitas, mas não resolve o filme das contas públicas. Se as projeções se confirmarem, o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá terminar com resultados efetivos negativos em todos os anos, apesar do forte avanço arrecadatório.
https://resumosbrasil.com/stories/01a164ab-2075-2e49-73f5-031a1ecef1fd
Write a comment