“Exército do Lula” entra na mira do TSE, mas especialistas contestam suspeita de irregularidade
“Exército do Lula” entra na mira do TSE, mas especialistas contestam suspeita de irregularidade
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para a Meta fazer um diagnóstico técnico do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e acompanhado por mais de 8 milhões de pessoas. A ordem atende à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que relata ações coordenadas contra sua candidatura em diferentes plataformas.
De um lado, a campanha aponta orientações para publicar hashtags, reproduzir comentários e pesquisar termos específicos no Google. Um dos exemplos citados é “Bolsonaro mandou matar Lula”. Na decisão, Nunes Marques menciona a suspeita de comportamento coordenado destinado a “enganar, fraudar ou confundir” e exige uma análise de alcance, compartilhamentos, publicidade paga e possível amplificação artificial.
O ministro, contudo, não declarou que houve irregularidade. Segundo a decisão, o objetivo é verificar “o confronto entre as providências formalmente informadas à Justiça Eleitoral e o funcionamento do mecanismo questionado”. A Meta também deverá explicar como separa uma “mobilização legítima” de um “comportamento coordenado potencialmente irregular”.
Do outro lado, especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo dizem que a petição não demonstra uso de contas falsas. Para o professor Pablo Ortellado, “coordenar seguidores para buscar um termo ou subir uma hashtag é expressamente permitido pela resolução do TSE”. Francisco Brito Cruz, da consultoria Input, reforça que coordenação é comum em campanhas; inautenticidade pressupõe fraude ou dissimulação. “A mobilização é pública e seu organizador é conhecido”, afirmou.
O histórico também alimenta a divergência. O canal já foi suspenso e restabelecido, enquanto um relatório técnico do próprio TSE não encontrou publicações com desinformação. Agora, a Corte busca uma fronteira técnica: saber se houve apenas ativismo digital organizado ou manipulação irregular das plataformas. A Meta não havia respondido publicamente até a publicação das reportagens.
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