Camisetas do PT viram centro de disputa após ação da PM em Piracicaba
Camisetas do PT viram centro de disputa após ação da PM em Piracicaba
Uma abordagem por suspeita de tráfico em Piracicaba transformou-se em uma disputa sobre abuso policial e instrumentalização política. A mãe de um adolescente de 17 anos afirma que policiais militares obrigaram seu filho e outros dois detidos a vestir camisetas idênticas de apoio a Lula. Ela também relata agressões contra os jovens e intimidação de familiares.
A Ouvidoria das Polícias de São Paulo pediu à Corregedoria da PM informações sobre a operação e o afastamento preventivo dos agentes. Para o órgão, as acusações podem envolver violência policial, abuso de autoridade e constrangimento ilegal. “Caso confirmadas, tais condutas são absolutamente incompatíveis com os princípios constitucionais que regem a atividade policial”, afirmou a Ouvidoria, ressaltando que a polícia deve atuar com “absoluta neutralidade político-partidária”.
A versão policial segue outra linha. Segundo a PM, a ocorrência começou após uma ligação ao 190 descrevendo três homens com camisetas partidárias que estariam vendendo drogas. A corporação afirma ter apreendido cocaína, um revólver e R$ 340, além de deter dois adultos e apreender o adolescente. A Secretaria da Segurança Pública disse não ter recebido denúncia formal sobre os supostos abusos e observou que o protocolo da Ouvidoria não afasta automaticamente os agentes.
O contraste está no momento em que as camisetas apareceram: a denúncia diz que foram impostas após a abordagem; a versão oficial parte da premissa de que os três já as vestiam. O senador eleito Guilherme Derrite divulgou imagens dos detidos, elogiou a ação policial e declarou que “crime não pode ser relativizado”. Procurado posteriormente, não comentou a acusação sobre as roupas.
O PT levou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral, alegando possível manipulação política e abuso de autoridade, e pediu a participação da Polícia Federal. Para a legenda, a suposta encenação teria buscado produzir conteúdo falso contra o partido. Já o Ministério da Justiça cobrou informações da SSP, da Corregedoria e da Ouvidoria, além da preservação de câmeras corporais, gravações do 190 e registros operacionais. A apuração terá de separar uma operação policial regular de uma eventual fabricação política da cena.
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