Lula e Flávio selam acordo, mas abertura dos sigilos ainda depende do TSE

Os candidatos aceitaram divulgar simultaneamente dados bancários, fiscais e telefônicos. O consenso, porém, ainda passa por André Mendonça e mantém no centro da disputa as informações da Alcazar Holdings.
Lula e Flávio selam acordo, mas abertura dos sigilos ainda depende do TSE

Lula e Flávio selam acordo, mas abertura dos sigilos ainda depende do TSE
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) transformaram um desafio político em uma petição conjunta: os dois candidatos à Presidência autorizaram a abertura total e simultânea de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O documento também prevê que as informações sejam disponibilizadas ao público.

No papel, o entendimento é categórico. Os candidatos afirmam ter aceitado “integralmente os termos recíprocos do desafio” e autorizado a abertura de seus respectivos sigilos. O acordo foi apresentado pelo senador Camilo Santana, integrante da campanha de Lula, e assinado pelo presidente e por Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da campanha de Flávio.

A convergência, contudo, não produz uma abertura automática. Cabe ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, autorizar o procedimento e requisitar as informações ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras de telefonia. A petição pede ainda que os dados sejam publicados no DivulgaCandContas ou em outra plataforma de acesso público.

O principal contraste está no alcance da transparência. A defesa de Lula sustenta que o presidente “não se opõe a absolutamente nada”, mas insiste na inclusão de informações da Alcazar Holdings. Segundo a petição, registros encontrados pela Polícia Federal indicariam Flávio como “usuário master” de uma conta da empresa, vínculo que teria terminado em maio de 2025. O texto também menciona uma viagem do candidato em um jato da companhia.

A empresa, sediada na Ilha da Madeira, pertence ao advogado Willer Tomaz, descrito nas reportagens como próximo de Flávio. A campanha petista resume sua cobrança em uma frase: “Quem não deve, não recorta”.

Assim, ambos os lados coincidem na promessa de divulgação ampla e simultânea, mas a execução permanece nas mãos do TSE. O acordo reduz a distância entre os discursos; a disputa sobre a Alcazar mostra que ela ainda não desapareceu.

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