Lula e Flávio selam acordo sobre sigilos, mas disputa por documentos ameaça a transparência

As campanhas autorizaram a divulgação simultânea de dados bancários, fiscais e telefônicos, mas divergem sobre o alcance do acordo e a inclusão de informações ligadas à Alcazar Holdings.
Lula e Flávio selam acordo sobre sigilos, mas disputa por documentos ameaça a transparência

Lula e Flávio selam acordo sobre sigilos, mas disputa por documentos ameaça a transparência
Lula e Flávio Bolsonaro formalizaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um acordo para a abertura total e simultânea de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A petição solicita que Banco Central, Receita Federal, instituições financeiras e operadoras forneçam os dados, que seriam publicados no DivulgaCandContas ou em outra plataforma aberta. A liberação, porém, ainda depende de decisão do ministro André Mendonça.

No papel, há convergência. “Aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio” e autorizaram a abertura dos respectivos sigilos, afirma o documento conjunto. O texto estabelece as 23h59 de quinta-feira como prazo para a entrega das autorizações e inclui informações dos candidatos, familiares e empresas.

Fora do papel, permanece a disputa sobre o alcance da medida. A campanha de Lula condicionou o cumprimento do desafio à inclusão de dados da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo de Flávio. A petição petista sustenta que registros encontrados pela Polícia Federal indicariam o candidato como “usuário master” de uma conta da companhia. A equipe de Lula resume sua posição numa provocação: “Quem não deve, não recorta”.

A campanha governista também afirma ter enfrentado resistência para incluir a Alcazar no acordo. Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula, disse que a divulgação precisa ocorrer antes do encerramento da eleição, para que os eleitores possam avaliar o conteúdo.

Do outro lado, Deltan Dallagnol, representante da campanha de Flávio, garantiu que as autorizações serão apresentadas dentro do prazo e “cumpridas integralmente”. Ao mesmo tempo, antecipou uma leitura acusatória dos documentos de Lula, afirmando que a equipe buscará analisar possíveis ocultações e responsabilizar os envolvidos.

Assim, o acordo aproxima as campanhas no procedimento, mas não no discurso: ambas prometem transparência enquanto tentam concentrar a suspeita sobre o adversário.

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