Camisetas do PT viram peça-chave em denúncia contra PMs de Piracicaba
Camisetas do PT viram peça-chave em denúncia contra PMs de Piracicaba
A denúncia sobre uma abordagem policial em Piracicaba abriu uma disputa entre duas narrativas. A mãe de um adolescente de 17 anos afirma que policiais militares obrigaram o filho e outros dois jovens a vestir camisetas de apoio ao PT antes da detenção. A Ouvidoria das Polícias pediu o afastamento preventivo dos agentes e classificou as acusações como graves: se confirmadas, as condutas seriam “absolutamente incompatíveis com os princípios constitucionais que regem a atividade policial”. O Ministério da Justiça também cobrou apuração e preservação de imagens de câmeras corporais, registros do 190 e outros possíveis elementos de prova.
A versão oficial desloca o foco para a ocorrência criminal. Segundo a Polícia Militar, uma denúncia anônima informou que três pessoas com camisetas partidárias vendiam drogas. A abordagem terminou com dois adultos presos e um adolescente apreendido; a corporação relatou ter encontrado cocaína, um revólver e dinheiro. Em resposta posterior, a Secretaria da Segurança Pública informou ter instaurado investigação preliminar e declarou “não compactuar com desvios de conduta e punir com rigor os casos comprovados”. As camisetas, porém, alimentam a suspeita: eram idênticas e aparentavam ser novas. Guilherme Derrite, que publicou imagens dos detidos, elogiou a ação policial e afirmou que “crime não pode ser relativizado”; procurado, não comentou a acusação sobre as roupas.
O episódio ganha peso diante de outra denúncia, desta vez no Maranhão. Áudios atribuídos ao então secretário de Segurança de Barra do Corda, James Mota, pediam que policiais prendessem eleitores do PT. Após a repercussão, ele foi afastado e o governo estadual determinou uma investigação. Para a federação PT-PCdoB-PV, as falas integram um discurso no qual “a acusação de criminalidade serve de justificativa retórica para abordar, constranger ou prender supostos adversários políticos”.
Os casos são distintos, mas expõem a mesma tensão: quando atuação policial e identidade partidária se misturam, apreensões criminais não eliminam a necessidade de investigar possíveis abusos — e denúncias políticas tampouco substituem a apuração das provas.
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